domingo, 8 de novembro de 2009

Programa de domingo

Eu não tinha muitos planos para o domingo. Pensava em acordar tarde, mas não muito a ponto de perder a manhã inteira. Acordaria às dez horas. Isso mesmo, dez horas é um ótimo horário para se levantar num domingo. Deixaria minha namorada na cama - ela provavelmente continuaria dormindo até o meio-dia. Eu não. Eu iria levantar, molhar o rosto, escovar os dentes e conversar um pouco com meus pais ou com os pais dela – não tinha decidido ainda se passaria a noite na minha casa ou na casa da minha senhora.

Depois, viria o almoço. O clássico almoço de domingo, onde o churrasco, invariavelmente, é o prato principal.

Terminada a refeição, chegaria a tarde com suas inúmeras possibilidades: namorar; ler; assistir um filme; postar no corujisses; ver tevê; ir ao shopping; dormir; passear no parque; correr; pular; aprontar confusões da pesada.

Como vocês podem ver, eu não tinha nada programado para minha tarde de domingo, mas não faltavam possibilidades. Nunca faltam opções de lazer para quem não faz nada além de trabalhar e estudar a semana inteira. Portanto, o sábado e a metade do domingo são sagrados – já explico porque digo "metade do domingo".

E não é que o MEC resolveu acrescentar uma nova opção à minha lista de programas dominicais. Pois é, fui selecionado para o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), que é obrigatório para os alunos que forem selecionados. Vocês já devem imaginar o quão feliz fiquei quando vi meu nome na relação dos escolhidos.

A prova teria duração de quatro horas e seria realizada num domingo, a partir das 13h. Quer coisa melhor do que passar a tarde de domingo numa sala de aula, respondendo questões de uma prova que, na prática, não vai mudar nada em sua vida? Se existe coisa melhor do que isso, eu quero saber.

Minha felicidade era tanta, que eu nem me importei com o fato de percorrer uma distância de 80 quilômetros para realizar a prova. Não! Eu iria com muito orgulho defender minha instituição – cujo as mensalidades nem são caras -, e daria o máximo de mim para que meu curso fosse valorizado. Até porque, quem não fizesse a prova, correria o risco de não receber o diploma que, há pouco tempo atrás, foi considerado desnecessário pelo STF.

Ouvi muita gente reclamar na hora do exame. Mas que gente sem consciência. Pôxa, será que eles não veem a importância disso tudo? Fiquei tão indignado com essas pessoas que deixei a prova de lado e comecei a escrever, no verso do caderno de questões, o post que vocês leem agora.

Mas não se preocupem, ainda deu tempo de marcar a letra ‘A’em todas as alternativas na grade de respostas e de ser o primeiro a deixar a sala. Assim, deu pra chegar em casa, tomar um banho e ir para o trabalho – entenderam porque eu disse “metade do domingo” lá atrás?.

Minha família, minha namorada, meu descanso. Nada disso importa, tudo pode ficar pra semana que vem. O importante é que o MEC esteja feliz, isso sim.

2 comentários:

Camila disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Kelen Trisch disse...

Haha... Fiquei tão "triste" de não ser selecionada para fazer o ENADE, que até havia esquecido (há uma semana atrás) de te perguntar se essa "honra" havia sido concedida a sua pessoa... Triste, não?
Mas tudo bem! Ainda poderei, quem sabe, ter esta "chance" se até lá o MEC não perceber a inutilidade deste exame obrigatório (basta ver o compromisso que você demonstrou em relação a ele, o que não deve ser muito diferente do resto dos azarados deste domingo).

PS: Valeu por tornar público meu apreço pela cama =/