quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Sono por água abaixo


Hoje vou falar de um grande amigo meu. É um cara bacana, boa pinta, inteligente e batalhador, esse meu amigo. Para lhe poupar qualquer tipo de constrangimento vou usar um pseudônimo, vou chamá-lo de Cente.

Pois bem, o Cente, como eu já disse, é, entre outras coisas, um cara muito batalhador. E é justamente por ser um cara muito ocupado que ele desenvolveu um ódio intenso do banho. Sim, ele não suporta o chuveiro. Eu vou explicar por quê.

Cente divide seu tempo entre trabalho e faculdade, quase não tem tempo pra respirar. Mal chega do trabalho e já tem que ir pra aula, mal chega da aula e logo já tem que voltar pro trabalho. A vida social do Cente quase inexiste, resta-lhe apenas os finais de semana para poder pôr as coisas em ordem, o que acaba não acontecendo pelo acúmulo de coisas que precisa resolver nos dois únicos dias em que está livre dos compromissos com a firma e a universidade.

Nessa rotina, o Cente vai vivendo a vida “vegetativamente” agitada - com o perdão da discordância. Cada segundo livre é sagrado, não pode ser desperdiçado de maneira alguma! E é aí que entra o chuveiro.

Cente chega do trabalho sentindo fome e sono, além de estar precisando muito tomar um banho. Então ele tem três escolhas: dormir, comer ou se banhar. Na maioria das vezes o sono vence.

Quando acorda, Cente continua com sono, mas não pode mais dormir, logo tem mais duas escolhas: o banho ou o café da manhã. Quase sempre a fome vence.

Cente vai pra faculdade e quando chega em casa ainda está com sono, está novamente com fome e precisa realmente tomar um banho. Dessa vez ele se vê obrigado a escolher a terceira alternativa. Por esse motivo, Cente desenvolveu uma aversão imensa do chuveiro. Ele pega a toalha esbravejando, tira suas roupas com muita raiva e caminha para dentro do boxe como se estivesse indo pra forca.

E é aí, quando ele abre o registro, que tudo muda, é aí que tudo se renova. Os problemas parecem desaparecer enquanto aquela água cristalina desce daqueles buraquinhos pequeninos chocando-se contra seu corpo. A água parece lhe purificar a alma antes de seguir seu caminho ralo abaixo.

Terminado o ritual, ele sai do banheiro como um novo homem, mas basta olhar para o relógio para que sua sanha retorne. Por que o ponteiro grande do relógio tem que andar tão rápido? Pronto, perdeu quase uma hora em baixo d'agua. “Que hábito maldito esse de tomar banho todo dia”, diz meu amigo a si mesmo.

Coitado do Cente, ele reluta muito em se dar o luxo de tomar banho diariamente. Isso é coisa de gente que tem tempo de sobra, não é pra ele. Quem dera se ele pudesse ficar feliz quando chegasse a hora da ducha, como ele gostaria de poder cantar no chuveiro como todo mundo. Mas não, sua usança é tão estressante que um hábito tão simples, tão necessário, e, acima de tudo, tão prazeroso acaba tornando-se um martírio.

Cente ouviu um dia desses um médico dizer o quanto um sono regular era importante para a saúde física e mental. Esse médico deu umas dicas de o que fazer para ter uma boa noite de letargia, e uma dessas dicas consistia em não se tomar banho pouco tempo antes de dormir, pois a água desregulava a temperatura do corpo e prejudicava o relaxamento e a reabilitação do corpo enquanto se está dormindo.

- Maldito banho, – bradava meu amigo – maldito seja o BANHO!

12 comentários:

Tamires disse...

Bom, para aqueles que pensam como o Centi, existe uma alternativa: "Deixar de ser tão cheiroso e usar as horas vagas para realizar coisas mais importantes como dormir, se alimentar ou até mesmo NÃO FAZER NADA, já que este é O SEGREDO DA FELICIDADE, não é mesmo??"

Natalia disse...

Bah, ninguém deve aguentar esse teu amigo, hein? heheheh

Aline disse...

Me indentifiquei muito com esse teu amigo.

Muito bom o texto, parabéns!

André disse...

Comovente cara, quase chorei. hahahaha

Abraço

Samantha disse...

BELA METÁFORA, DIOGO.

ESSE É REALMENTE O GRANDE MAL DA SOCIEDADE ATUAL, TODOS ACREDITAM ESTAR VIVENDO MAIS DO QUE NOSSOS ANTEPASSADOS, QUANDO NA VERDADE, ESTÃO VIVENDO MUITO MENOS.

A INFÂNCIA É PRECOCE, A FASE ADULTA É ESTRESSANTE E A VELHICE SAUDOSISTA. QUANDO MENOS NOS DAMOS CONTA A VIDA CHEGA AO FIM, E AÍ?VAMOS LEMBRAR DO QUÊ?

BEIJO!

Brunna disse...

lindo texto. com certeza muita gente vai se identificar, eu mesma inclusive... não que eu não goste de banho... tu me entendeu...hehe

posso usar esse texto no me blog? espero que sim, porque eu já usei, haha.

parabéns!

Diogo Pereira disse...

*Samantha

metáfora? que metáfora? Haaaa, sim, a metáfora!

Obrigado por comentar!

**Brunna

Pode sim, mas não esquece de creditar, certo?

E dá próxima vez deixa teu nome linkado com o teu blog, pro pessoal conhecer.

Abs

Lucas disse...

é como eu digo o homem perde a saúde juntando dinheiro e depois perde dinheiro pra recuperar a saúde, aí ele vive como se nunca fosse morre e morre como se nunca tivesse vivido.

Diogo Pereira disse...

Lucas*

quer dizer que foi de ti que o Dalai Lama tirou essa filosofia de vida? Ele costumava dizer quase a mesma coisa.

Valeu por comentar!

Kelen Trisch disse...

Coitado do Cente! Concordo com sua opinião, amor. Mas é a vida, né? Ou você se adapta, ou vive a margem da sociedade, como uns certos amigos nossos que passam os dias tocando violão e cantando Raulzito...
Difícil a escolha, né? ;D

Lucas disse...

se é pra ficar tirando onda com a gente, não comento mais nesse blog!

e pra teu governo, o Dalaizinho é um grande amigo...

abs!

An@ P@ul@ disse...

Muito legal o post.

Acho que fizemos uma cadeira juntos no semestre passado, mas nunca chegamos a nos falar, era a aula da Maria Helena, eu sentava bem lá na frente, lembra? Não, né?

Adorei o post e gostei muito do blog também.

Abs