domingo, 26 de julho de 2009

Uma futura grande história

Meus primos Gabriel e Gustavo estão escrevendo uma história que pretendem transformar no melhor desenho animado do mundo. Segundo eles haverá muito sangue e violência na saga. Eles me contaram mais ou menos como vai ser e eu confesso que fiquei impressionado com a trama.

O blog corujisses divulga em primeira mão os esboços de personagens que poderão compor a obra. Acima dois personagens desenhados pelo Gustavo e abaixo um personagem desenhado pelo Gabriel.
Coloquei esses desenhos aqui porque de alguma forma esses dois me lembram o meu "EU" do passado. Gustavo de oito anos e Gabriel de dez fazem eu recordar o Diogo de quinze anos atrás. Bons tempos aqueles, tudo era tão fácil. Tomara que os próximos quinze anos desses garotos não passem tão rápido quanto passaram pra mim.

sábado, 25 de julho de 2009

Antidemocracia?

Democracia pra mim significa soberania popular. Vejam bem, esse é apenas o meu entendimento da palavra, outras pessoas têm conceitos diferentes para tal regime - algumas delas comentaram no post abaixo, por exemplo -, o que eu respeito muito, ainda mais sendo eu totalmente laico dentro de tal discussão.

A possibilidade dessa minha definição de democracia ser errônea é alta em demasia, o que não permite nenhum chauvinismo de minha parte na discordância dos que pensam diferente de mim. Assim, quero simplesmente esclarecer que no último mini-post, quando pedi que me explicassem porque a possibilidade de um terceiro mandato para o presidente Lula era considerado antidemocrático, eu estava falando sério.

Se eu entendi direito, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 367/09, com a permissão para duas reeleições continuadas do presidente, dos governadores e dos prefeitos, apresentada por um deputado da base de apoio do governo, previa que a decisão seria do povo. Através de um plebiscito o povo iria às urnas para decidir a favor ou contra a reeleição continuada.

Na minha humilde opinião não a nada mais democrático do que um plebiscito, “a soberania popular” seria o fator peremptório – sempre quis usar essa palavra. Perdão, mas até agora não vi nada de antidemocrático nisso tudo. Pelo contrário, sendo o povo o responsável pela escolha de uma nova candidatura, seria o povo também o responsável por reeleger ou não o presidente que se re-candidatou. Ou seja, um ato duplamente democrático.

Podem chamar o terceiro mandato do que quiserem, mas antidemocrático não é o adjetivo correto.

Agora, se me perguntarem se sou a favor da permanência do barbudo no poder minha resposta será não. E digo mais, concordo com meu amigo Eduardo Nunes quando ele diz que por ele não haveria sequer a possibilidade de uma reeleição. Acho que isso não passa de uma monarquia disfarçada.

Lula não vai se candidatar de novo – pelo menos não nas próximas eleições. Coerência da parte dele, já que em 1995 foi totalmente contrário ao golpe à emenda que aprovou a continuidade do presidente Fernando Henrique Cardoso por mais quatro anos.

Não. Lula provável e felizmente não vai quebrar a regras do jogo, ele sabe o quanto a semelhança a um governo “chavista” o afastaria da atual popularidade que ele tem no mundo inteiro. O excelentíssimo presidente não perderá a chance de deixar como lição para seus companheiros diplomados a imagem do operário metalúrgico que, em circunstâncias especiais, chegou ao poder no Brasil e, se quisesse, poderia esticar a sua permanência nele por tempo indeterminado, mas que NÃO o fez.

Lula não vai ser candidato nas próximas eleições. Mas se for, pela velha lei do menos pior, meu voto é dele... de novo.

sábado, 11 de julho de 2009

Terceiro mandato

Apenas um questionamento preâmbulo para um futuro – e seguinte – post:

A possibilidade de um terceiro mandato para o presidente Lula está na pauta midiática, principalmente em ano pré-eleitoral. Tal medida tem causado pânico em alguns, que consideram a proposta um grande golpe à democracia. Alguém pode me explicar por que um terceiro mandato seria anti-democrático?

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Justiça para mim mesmo

Um homem é solto depois de passar dezenove anos na prisão. São dezenove anos de cárcere, dezenove janeiros vendo o sol nascer quadrado. E o pior de tudo: esse homem foi preso injustamente.

Não é um caso de ficção, isso aconteceu de fato. Na verdade existem vários casos parecidos pelo mundo. Pessoas passam anos na cadeia por crimes que não cometeram. Mas eu não quero comentar o absurdo, dramaticidade ou outros adjetivos revoltantemente cabíveis em tais fatos. Quero apenas fazer uma análise no que esse homem – ou qualquer outro – perdeu nesses quase vinte anos.

No caso pontual com qual comecei a escrever o post, o governo do estado desse infeliz foi condenado a lhe pagar a quantia de dois milhões de reais. É como vencer dois BBBs. É incontestável que é uma grana merecida, ainda mais que no caso específico o homem acabou perdendo parte da visão em uma rebelião e em certa feita contraiu tuberculose na cadeia.

Vinte anos é muito tempo, é quase a minha vida toda. E o homem lá, preso no meio de um monte de bandidos, tendo que conviver diariamente com um dos piores sentimentos que existem: a sensação de injustiça. E quando se é o injustiçado é muito pior. O homem estava lá por um crime que não cometeu, e eu estou aqui enrolando e não chegando a lugar nenhum, então vou acabar com a dramaticidade na qual prometi não me envolver e partir direto ao ponto.

Eu tenho vinte anos e não fiz nada de muito especial na minha vida. O mesmo acontece com todos que eu conheço e que têm a mesma idade que eu. Foi sempre a mesma coisa, tudo muito parecido. Uma vida normal.

Pois bem, passei esses vinte anos sem fazer nada de esplendido, nada de espetacular, e ainda não me tornei algo que possa dar orgulho a alguém ou a mim mesmo. Não sou e nem dei nada de novo para o mundo, ainda não consegui justificar minha existência. O mesmo acontece com muitos, com quase todos, na verdade.

Não é nenhum cúmulo dizer que também passei a vida inteira preso, não é absurdo afirmar que conheço muitas pessoas presas andado soltas por aí. Livres pelas ruas, mas encarceradas em sua pífia existência.

O pior de tudo isso é que eu perdi vinte anos da minha vida preso, e acho que não aprendi com isso, é muito provável que meus próximos vinte anos não sejam muito diferentes dos últimos: vou continuar preso. É irônico mas eu estive preso sem fazer nada, eu estou preso por não fazer nada e estarei preso até que faça algo que justifique a minha liberdade condicional. Eu fui
injustiçado por minha própria existência.

O cara que inventou o Pica-Pau descobriu a forma de conquistar sua liberdade,
o Paulo Coelho, o Lula e a Ivete Sangalo também. Mas eu ainda não. Espero que eu não precise de mais vinte anos de prisão para isso.

E esse homem que passou os mesmos vinte anos preso injustamente, convivendo com os piores indivíduos da sociedade e aceitando a condição de nunca mais ser visto da mesma forma por aqueles que o conheciam? Pois eu digo que esse homem está no time do criador do Pica-Pau, no time dos que encontraram a chave da felicidade, da liberdade. Esse homem perdeu vinte anos de sua vida, assim como eu perdi, assim como você já deve ter perdido – se é que não perdeu mais.

Pois agora esse homem tem um resto de vida milionário pela frente, terá grana suficiente para recuperar o tempo perdido. E não me venham com essa de que dinheiro não traz felicidade, por favor. O dinheiro só não traz felicidade quando ele não é suficiente para comprar cem por cento do nosso tempo. Quando o dinheiro nos permite vivermos uma vida para nos mesmos ele é a chave de toda felicidade do mundo. E se alguém duvidar disso eu me ofereço para cobaia de testes, me deem um milhão que eu garanto um sorriso alegre pelo resto da vida.

Então agora o homem vai ser solto, vai ser milionário, vai ter o nome limpo, vai recuperar o tempo perdido e vai viver mais nesses anos que lhe sobram de vida do que muita gente é capaz de viver durante toda sua existência. Esse homem foi indenizado pela sua prisão, e eu? Quem vai pagar pelos anos que eu passei preso?