quarta-feira, 24 de junho de 2009

Por favor, não parem as máquinas!

Li por aí que o New York Times anda mal da pernas. O jornal mais referendado do mundo amargou um prejuízo de 74,5 milhões de dólares no primeiro trimestre de 2009.

Os números da decadência são mais assustadores do que parecem. Se em 2002 o jornal valia 5 bilhões de dólares, hoje não encontraria comprador pela “bagatela” de 800 milhões. Em sete anos, o preço das ações despencou de 52 para 8 dólares – ah como eu odeio números! Como os investimentos devem ter migrado todos para o Google, o diário do clã Sulzberger corre o risco de interromper sua edição em papel, e nisso é seguido por boa parte de jornais americanos.

Aqui, nesse Brasilzão de meu Deus, esse fenômeno de fuga da mídia impressa para a online ainda não é tão perceptível. A tiragem dos jornais impressos continuam ascendentes, mas tudo graças ao nosso atraso econômico e educacional, que manterá as coisas assim por mais um tempinho.

Passado esse tempinho, a exemplo dos Estados Unidos e do norte europeu, haverá um declínio que aos poucos tornará a leitura na tela mais comum que a leitura no papel. “Sem problema”, dirão os otimistas. “Com o tempo substituiremos uma mídia por outra, mas a informação continuará a mesma”. Pode ser, mas sugiro cuidado com conclusões precipitadas.

É de conhecimento de todos que os internautas são grandes mãos-de-vaca que detestam pagar por qualquer coisa, o que destaca o primeiro ponto negativo, já que não vai ser tão fácil tornar o jornalismo tão rentável na internet como ele é no papel. Mas a questão vai bem além do fator econômico. Mesmo que o site do New York Times seja um dos melhores do mundo, por enquanto ele não consegue bancar as legiões de correspondentes estrangeiros que conferem qualidade ao jornal. Isso significa que a ausência da edição impressa fará com que o nível caia também na internet. Temos aí um bom desafio para os empresários. Para os leitores e jornalistas outros mais graves.

Saberemos que a informação não continuará sendo a mesma – teóricos como Marshall McLuhan garantem isso. Mais do que informar ou entreter, as mídias determinam o modo como absorvemos o conteúdo. Como a marca da internet é a superficialidade, corremos o risco de nos tornarmos ainda mais rasos e dispersos. Há até quem diga que "a diferença entre o jornal impresso e o online é que o online não serve nem pra limpar a bunda", um ponto de vista no mínimo interessante, mas ainda assim um ponto de vista.

Outra coisa, é de característica dos “googleiros” - assim como eu – buscar por opiniões iguais às suas – assim como eu. O que por um lado parece ser o triunfo da democracia, mas que por outro pode nos isolar de tudo que vá de encontro aos nossos preconceitos.

Mas, como somos brasileiros e não desisto nunca, esse problema pode demorar bastante pra chegar, tendo em vista o alto nível de analfabetismo digital, é possível que descubram uma solução para essa crise jornalística antes mesmo dela chegar ao Brasil.

De volta à ativa

Não, o blog não terminou.

Passei por um momento conturbado nesses últimos meses, o que forçou a deixar o corujisses um pouco abandonado, digamos assim.

Mas agora estou de volta - assim espero - com bastante coisa pra dizer, mas - como sempre -pouco tempo pra conseguir dizer...

Em breve estarei postando novamente, e com mais frequência do que nunca. Então já deixo esse post para dar uma movimentada.

É bom estar de volta.

Um abraço a todos*

*não sei porque às vezes eu tenho a impressão de que estou falando sozinho