quinta-feira, 2 de abril de 2009

Relatos matinais de uma quinta-feira negra

É do laboratório de informática da faculdade que escrevo esse post. De onde estou consigo ver meus professores gesticulando em frente aos rostos sonolentos e desinteressados dos meus colegas. Eu deveria estar lá, mas não criei coragem de entrar uma hora e meia depois de a aula já ter começado.

Não, eu não dormi mais do que a cama, e nem demorei mais tempo do que o normal me arrumando, o que aconteceu foi bem mais além dos meus rotineiros motivos de atraso, foi algo bem mais revoltante.

Tenho até o final do intervalo para concluir esse texto, entrarei no segundo período da aula e vou tentar explicar para os professores o porquê dessas duas horas de atraso. Antes disso, vou contar pra vocês o que aconteceu.

Não quero decepcioná-los com a insignificância dessa minha história, assim, aqueles que esperam que meu atraso tenha sido decorrente de um ato heróico, como evitar um assalto, ajudar uma moça indefesa que está sendo molestada em um beco escuro, perseguir bandidos, presenciar um ataque alienígena, ou algo do gênero, que pare de ler por aqui. Sim, porque o que aconteceu não foi nada especial, e muito menos teve alguma pitada de glória, o que aconteceu foi comum e deprimente, simplesmente.

Ainda em Cachoeirinha, um acidente entre um motoqueiro e uma vã escolar se deu bem na minha frente. Tive que frear forte a minha moto para evitar fazer parte desse elenco. A batida foi feia, o motociclista – que como de praxe levou a pior – se contorcia de dor no asfalto.

Não gosto de presenciar essas cenas, porém não consigo evitar olhar quando presencio uma coisa dessas. Abalado com o que vi, segui caminho, já que não seria útil ali. O acidente trouxe lembranças recentes a tona, meses atrás era eu quem estava estirado no chão, em um acidente ridículo, dado que o único culpado foi o pneu que resolveu furar no meio da Freeway, enquanto o ponteiro da moto passava da marca dos cem por hora.

Esse acidente me fez ficar fora da aula e do trabalho por mais de um mês, de molho em casa e com o pé pra cima.

Com essas memórias em evidência já estava na Freeway, rumava com calma para a faculdade, com calma mesmo, pela direita, a uns oitenta por hora no máximo. E foi alí, naquela estrada maldita que comecei a sentir novamente os sintomas de que meu pneu mais uma vez estava sucumbindo. Não acreditei, depois daquele acidente fiquei meio fóbico ao andar de moto, inúmeras foram as vezes em que encostei a moto para verificar se estava tudo certo com os pneus.

Dessa vez foi a mesma coisa, encostei a moto já rindo de minha paranóia quando me dei conta de que de fato o pneu estava furado. Não conseguiria encontrar palavras para registrar aqui minha indignação com o ocorrido, eu saio de casa, levanto cedo para ir pra faculdade e acontece isso! Que seja, prossegui meu caminho, perigosamente pela direita, a moto cambaleante, manca, arrancando faíscas do asfalto com seu aro de alumínio batendo no chão. Os carros passavam por mim apressados, não sem antes buzinar em protesto contra esse idiota que atrapalha o já conturbado trânsito matinal. Mas o que eu poderia fazer? Seria pedir muito um pouco de compreensão para com esse fodido que voz fala?

A moto aguentou até o final da Freeway, quando a roda se desfez do pouco de estabilidade que ainda tinha e não foi mais possível que ela me transportasse, era hora de eu retribuir.

Carreguei a moto por uns dois quilômetros, até a primeira borracharia que encontrei. Sabe qual o cúmulo da zica? É uma borracharia não ter uma chave de roda para consertar o pneu desse fodido que segue voz contando os acontecimentos de uma trágica manhã de quinta-feira.

Andei mais um pouco até encontrar um estabelecimento que de fato poderia me ajudar, e realmente ajudou, o único transtorno foi ter que andar mais um quilômetro até encontrar um caixa eletrônico e sacar um pouco de dinheiro para pagar o homem.

Depois disso nada de anormal aconteceu, vim para a faculdade e é cá onde me encontro agora.

Os acontecimentos dessa manhã poderiam ser considerados normais. “Isso acontece” me dirão uns, “ é assim mesmo” dirão outros. O problema é que coisas assim vêm se somando na minha vida nos últimos meses, não é só no que diz respeito à moto, mas sim à vida em geral. Não são nem uma nem duas pessoas que já chegaram pra mim e com o dedo em riste disseram: “Tu é o cara mais azarado do mundo”.

Só que mesmo ouvindo isso o tempo todo, mesmo que me considerem o dono do maior espírito de porco da história eu não concordo com essas pessoas. A vida é feita de escolhas, e existem obstáculos para toda e qualquer escolha, eu sou só um cara em que tais obstáculos são definidos de formas diferentes, mais inusitadas talvez. Sim, porque é irônico que dois dias depois da recuperação de um grave acidente proveniente de um pneu furado, o novo pneu e a nova câmera – os melhores e mais caros que encontrei – se furem tal qual seus antecessores. Um preguinho era o culpado dessa vez, e na Freeway de novo, só que dessa vez sem tombo.

Foram tantas coisas bizarras que aconteceram ano passado que nem me proponho a contar aqui, achei que esse ano seria melhor, mas os acontecimentos dessa quinta-feira me colocaram em duvida quanto a isso. Mas eu não ligo, assim é mais engraçado, vou seguir não importa o que aconteça, o importante é não se abalar, o importante agora é entrar na aula e convencer o professor com a verdade, o importante é tirar as manchas de graxa da mão e achar alguém que me diga o que eu perdi no começo da aula. O importante é chegar em casa, ver minha família, assistir os Simpsons depois o Chapolin, esperar o final de semana chegar pra jogar bola com meus priminhos no meio da rua e de noite ver a minha amada com quem hoje completo três anos de namoro, cujo a saudade já me deixa demasiadamente louco.

Dizem que nessa vida só duas coisas importam: sorte e amor. Assim, enquanto a minha sorte não chega....

2 comentários:

Kelen Trisch disse...

Bah, amor, isso só acontece contigo. E logo nesse dia, né? Mas não faz mal, visto que poderia ter sido pior (como no ano passado).
Espero que quando completarmos quatro anos de namoro este "fato" não se repita. Mil beijos, meu lindo.

Obs.: viu no que dá falar mal da Igreja? Há-há.

LOCO disse...

AZARADO? TENDO UMA FAMÍLIA LINDA COMO ESSA?
AZARADO? NAMORANDO A GAROTA DO TEUS SONHOS?
AZARADO?JOGANDO OS ´´CAMPEONATOS´´,TODOS OS SÁBADOS?
AZARADO?UM TEMPO ATRÁS EU VIA UMA MULETA TE SEGUINDO,ONDE IAS....AI EU FALAVA PARA A TÉCNICA:QUANDO ESSA MULETA VAI LARGAR ESSA GAROTO LEGAL....
PARAFRASEANDO MEU AMIGO MORTE(VIDA):VAMOS DEIXAR O CHORO PARA OS LEPROSOS....
ABRAÇOS