segunda-feira, 30 de março de 2009

Piada infame

Engajados com a causa ambiental, um casal resolve aderir à manifestação que consistia em manter as luzes apagadas por uma hora, uma forma de protesto contra o aquecimento global.

- O que vamos ficar fazendo durante essa uma hora, amor? - perguntou a mulher.

- Sei lá, vamos dar uma volta de carro pela cidade. - respondeu o homem.

- Tudo bem, mas com os faróis apagados. - concordou a mulher.

domingo, 29 de março de 2009

Charge 9

Alguém viu o nosso amor próprio por aí?

Porto Alegre resolveu homenagear Elis Regina com uma estátua em tamanho real ao lado da Usina do Gasômetro, às margens do Guaíba. Hão de dizer que a "pimentinha" foi uma das maiores cantoras que o Brasil já teve, daí a merecida homenagem da prefeitura para nossa artista.

Só que peraí, essa mulher não tava nem aí para Porto Alegre e os gaúchos, mais que isso, ela detestava o Rio Grande do Sul. Então a mulher renega sua própria terra, se manda para o Rio de Janeiro e resolve ficar por lá mesmo e acaba virando estátua.

Puta merda! Será que perdemos nosso amor próprio?

Querem acabar com a nossa profissão...

... foi isso que ouvi do meu professor na última aula. Meu professor estava indignado com o Recurso Extraordinário que questiona a constitucionalidade da exigência do diploma em Jornalismo como requisito para o exercício da profissão.

É compreensível sua aversão à essa possibilidade, afinal, ele é jornalista formado e formador de jornalistas ao mesmo tempo. Entendo o quão contrariado ficaria esse meu professor se fosse substituído por um não-formado no seu trabalho, não menos enraivecido ficaria ao ser notificado de que não se faz mais necessário na faculdade onde leciona, já que não havendo alunos não necessita-se de professores.

Entendo que, assim como meu professor, todo esse pessoal que defende a obrigatoriedade do diploma está baseado no self-interest, é corporativismo puro. O lado que defende o diploma está bitolado demais, assim não enxergo em suas ações um real desejo de manter o direito à informação independente, plural e ética. O que eu consigo ver claramente é um monte de gente preocupada com o tempo e o dinheiro que "perdeu" - perdeu entre aspas, já que nem todos pensam nisso como uma perda - na faculdade.

Me dói muito dizer isso, mas concordo com o questionamento da constitucionalidade do diploma no jornalismo, e não só no jornalismo, outras profissões poderiam estar com seu diploma na berlinda também. Seria muito mais conveniente para mim abraçar essa causa e sair por aí militando a favor do diploma, mas - mais uma vez com dor no coração - tenho uma incredulidade muito grande com as instituições que formam esses jornalistas.

O que representaria um diploma adquirido sem esforço algum? Sim, porque hoje em dia qualquer um ingressa a um curso superior e, sério, ninguém precisa dar muito de si para ir bem na faculdade. Hão de concordar comigo que, no mínimo, metade das cadeiras consideradas obrigatórias são dispensáveis. Em todos os semestres temos uma ou mais disciplinas que sequer entendemos os motivos de estarem no nosso currículo - digo que não entendemos para não pressupor que é só mais uma forma de tirar dinheiro dos estudantes. Não quero generalizar, mas essa é a imagem que me fornece a minha experiência.

Um sábio irá dizer que "o saber não ocupa espaço", mas nesse caso está ocupando meu tempo e meu dinheiro, já que estudo numa universidade privada. E quando este "saber" é um "saber" impositivo, não me inclino facilmente a ele, afinal sou eu quem deveria escolher ao que me interessar, ao que me convém aprender. Nas federais não é muito diferente, os professores conseguem ser ainda piores, o currículo é tão absurdo como o das outras universidades e a infraestrutura é demasiadamente comprometida, com um nível de desorganização absurdo. O diferencial dessas universidades está nos estudantes, já que esses pelo menos tiveram que se dedicar bastante nos estudos para o vestibular.

Um cursinho técnico seria o bastante para se aprender jornalismo - se é que jornalismo se aprende. Você iria lá, se dedicaria à parte mais técnica e se aprofundaria no que mais lhe apetece dentro da profissão, por conta própria. Um diploma não significa nada, sua simples existência não garante aquele que o possui será um bom profissional. Sem a exigência do diploma, aquele pessoal que só marcou um "x" onde estava escrito "Jornalismo" porque não tinha nada melhor em mente iria abandonar essa barca. Ouviríamos com menos frequência o famoso "sou modelo e jornalista" da boca das poucas-roupas dos programas de TV. Tudo isso porque, sem a necessidade de um curso superior para o exercício da profissão, perderia um pouco do glamour que envolve o jornalista, e isso afastaria, sem sombra de dúvida, o pessoalzinho que faz jornalismo por modinha, simplesmente.

Ainda costumo sustentar meus argumentos sobre esse tema afirmando que qualquer médico, psicólogo, advogado e etc que tenham um bom texto poderiam ser bons jornalistas, poderiam informar melhor do que muitos diplomados por aí. Mas será que bastaria tão pouca coisa para um jornalista se transformar em um médico, psicólogo, advogado e etc?

Confesso que toda essa minha opinião sobre esse tema é muito nova, assim posso facilmente virar a casaca de uma hora para outra e sair por aí com uma faixa de protesto, um nariz de palhaço, um adesivo no peito, a cara pintada e distribuindo panfletinhos e jornaizinhos sindicais. Só que para isso terão que me mostrar um interesse maior em avaliar a própria formação universitária em jornalismo no Brasil ao invés de simplesmente defenderem seus lados sindicalistas e corporativistas.

O Jornalismo ainda é um dos cursos mais concorridos nas universidades, todos os semestres centenas de recém-formados são despejados no mercado de trabalho, e é preciso uma peneira que vai muito além de um simples diploma para separar o jornalista de verdade daquele que simplesmente se cala perante a imposição das indústrias midiáticas, que nada acrescenta, que pouco ousa, que pratica o velho Ctrl+C e Ctrl+V, mas que mantém, orgulhoso, seu diploma numa bela moldura pendurado na parede da sala.

quarta-feira, 25 de março de 2009

E o Papa estragou tudo

Esse é o terceiro post que faço sobre a Igreja Católica em menos de um mês, anos atrás menos que isso já seria o bastante para um belo churrasco de Diogo. Não queria que fosse assim, mas o que posso fazer se o momento é propício para isso? Mas eu prometo - outro sacrilégio - que depois desse post vou entrar num cessar fogo contra Igreja, antes que eu seja tachado de reencarnação do Anti-Cristo na terra.  

O post, portanto.

Pois bem, semana passada, em sua visita à África, o nosso querido Papa Bento XVI falou merda, o que não é nenhuma novidade, mas que por se tratar de um lugar pobre como a África uma merda nem sempre é só uma merda, uma merda pode se tornar um merdão.

Vejam só, o Papa foi lá na África, um país onde o índice de HIV é altíssimo, e condenou o uso da camisinha. Para o Sumo Pontífice, "não se pode resolver isso com a distribuição de preservativos". Sendo assim, apenas um "despertar espiritual e humano" baseado na abstinência e na fidelidade poderia combater a epidemia. Tudo bem seu Papa, tudo bem.

Nem em sonho eu esperaria que o representante máximo do Vaticano admitisse a sexualidade como manifestação legítima do ser humano, mais uma vez acredito que ele só está sendo fiel à sua ideologia. Apesar disso, nunca canso de me questionar sobre a irresponsabilidade do Santo Padre e seus acólitos.

Acho justo que o ex-cardeal Ratzinger pregue a abstinência, acho justo que pregue a fidelidade, mas acho desumano que não considere a camisinha um meio eficaz de se prevenir contra a Aids. Seria difícil demais para nosso glorioso Papa simplesmente recomendar a camisinha em um caso de tentação carnal? Custava ele pedir para que, se não pudessem controlar seu desejo, usassem proteção para si e para seus parceiros.

Sabemos da pobreza da África, sabemos de suas necessidades, e sabemos como o sexo é bom. E o sexo não é só bom, o sexo também - salvo algumas vezes - é de graça. O povo africano é um povo que se contenta com pouco, é um povo que tem pouco, por que privá-los do pouco que ainda lhes pode dar prazer? Não falo de traição, falo também de sexo dentro do próprio casamento, que absurdamente também é criticado pela Igreja.

"Poucas coisas são boas e de graça como o sexo", já dizia um grande amigo, acho que dormir talvez também seja. Assim, um simples gesto de humanidade do pontifício poderia salvar milhares de vidas. Salvar vidas, não seria esse o principal objetivo?

Em sua recusa de rever conceitos que não fazem mais sentido no século 21, a Igreja Católica só prejudicou ainda mais o tão sofrido povo africano. Um simples gesto poderia salvar muita gente, poderia inclusive melhorar a patética imagem que a Igreja tem passado nos últimos, sei lá,dois mil anos. Eu próprio aplaudiria de pé se aquele o homem - que parece mais o Mestre dos Magos do que Papa - se ele tivesse recuado só um pouquinho em sua rigidez, mas ele não foi capaz disso.

O Papa disse várias vezes que a África corre perigo, só que isso todo mundo já sabe.

Dogmaticamente correto


Tenho pensado bastante na postura da Igreja Católica nesses últimos dias. Deve ser devido aos acontecimentos recentes, mais especificamente o caso da excomunhão dos envolvidos no aborto da menina de 9 anos que havia sido violentada pelo padrasto.

Escrevi um post declarando meu total desprezo pela Igreja, principalmente pela ortodoxia que lhe é peculiar. Só que agora, um pouco menos influenciado pela indignação do momento, estou disposto a recolocar algumas ideias sobre ela, principalmente ao que diz respeito ao próprio arcebispo dom José Cardoso Sobrinho.  

Acho que o arcebispo estava certo. Não concordo com ele, mas acho que estava certo. Certo no sentido de não ser hipócrita, de ser fiel às suas convicções e crenças. Ora vejamos, ele é um arcebispo católico, logo sua postura deve estar de acordo com a postura da Igreja, é uma questão de coerência. Se ele é católico, se ele age segundo os preceitos de sua religião, não podia se esperar dele uma atitude avessa ao que ele acredita estar correto.

Ele manteve-se imutável mesmo após todas às críticas, ele continuou com a mesma percepção de certo e errado, não recuou em seus ideais. Acho que isso foi digno.

O que não é digno são os milhares de fiéis, que discordam do que a Igreja prega, continuarem se considerando católicos. Ridículo! Esses fiéis que se dizem carolinhas de primeira são o inverso do que a Igreja quer. Vão à missa e acham que já é o bastante. A Igreja está cheio desses hipócritas que mal saíram da vista do padre já param no primeiro bar aberto para encher a cara, correm para suas amantes, não praticam a abstinência ao invés dos métodos anticoncepcionais proibidos pela Igreja, ou seja, fazem tudo ao contrário. Então me digam, por que ainda se dizem católicos? Sinceramente, eu não sei.

Deve ser por medo, só pode ser isso. Acho que são incapazes de se desfazerem daquilo que lhes foi imposto quando ainda não tinham nem dente na boca. 

O Batismo, a Primeira Comunhão, a Crisma, fui submetido a tudo isso, mas hoje, finalmente, consegui me libertar, e foi fácil, bastou um pouco de leitura e um pouco de cabeça aberta. E é justamente isso que falta aos fiéis, leitura e cabeça aberta. Principalmente cabeça aberta, já que eu bem sei que você pode ter todos os documentos a mão para provar que a Igreja está errada, mas isso não vai bastar para um católico-praticante, são fechados, não aceitam nada do que não lhes convém. Acho que se o próprio Deus aparecer para lhes dizer algumas verdades eles vão continuar acreditando só no que aprenderam enquanto ainda estavam mudos.

Mas sim, eles são católicos o bastante para não deixarem de ir na missa e para não se deixarem convencer de nada que afronte a Igreja, mas eles não são católicos o bastante para seguir rigorosamente, pontualmente, todas as "recomendações" do Vaticano.

Por isso acho que o arcebispo estava com a razão, defendeu o seu ponto de vista mesmo sabendo que isso acarretaria em polêmica para o seu lado. Agora aqueles que não concordam com isso que parem de se dizer católicos, deixem a barca da hipocrisia e sigam o caminho a que sua ideologia se faz compátivel, parem de se embriagar do vinho católico se depois não forem capazes de aguentar a ressaca.

sábado, 21 de março de 2009

Charge 8

Aula de hoje

Fiz esse desenho durante a aula de sexta-feira.

Ficar desenhando é uma forma de evitar que aconteça justamente o que a imagem mostra, se bem que entre dormir na aula ou ficar o tempo todo desenhando não há muita diferença. Pelo menos enquanto desenho não corro o risco de roncar.

O desenho exprime um desejo, mais que isso, uma necessidade imensa de tirar um bode enquanto a professora despeja sobre mim aquele monte de informações desinteressantes.

Eu também vou reclamar


Já são três semanas de aula, duas se considerar que a primeira semana eu faltei inteirinha. Que seja, o ano mal começou e eu já estou exausto.

Não gosto de reclamar de coisas das quais tenho escolha, se eu ocupo meus três turnos com o trabalho e os estudos o problema é meu, sou eu quem quer assim. Só que ainda assim, mesmo tendo consciência de que são as minhas decisões que fazem minha vida ser o que é, eu me sinto no direito de postar esse desabafo.

É um desabafo mesmo, nada mais do que isso. Só quero dizer algumas palavras sobre o quanto eu odeio o relógio e suas imposições malditas. Os ponteiros não param, eles continuam trabalhando incessantemente com o intuito de sempre nos deixar a par de nossa vida medíocre, com o objetivo de fazer nos sentirmos culpados pela vida mal vivida que vivemos, de como aproveitamos mal nosso tempo, de como priorizamos tudo e todos antes de priorizar a nós mesmos.

O tempo não deveria fazer tanto sentido para uma pessoa da minha idade, afinal, me considero estar apenas no começo da vida. Só que ele tem me assustado com sua pressa, eu me lembro como se fosse ontem do dia em que comecei a trabalhar, e isso é péssimo tendo em vista que já se passaram seis anos desde então, numa velocidade difícil de assimilar.

Não me importaria de trabalhar - e nem deveria -, sei que é uma necessidade universal, só que não consigo render o que gostaria. Também não consigo ter gosto por ele, na verdade odeio essa responsabilidade que me faz abdicar das coisas que eu realmente gostaria de estar fazendo.

Mas eu trabalho, dia após dia, me esforço para que minha exaustão não influencie na minha relação com os meus colegas, não influencie no meu rendimento, não me torne uma pessoa amarga e mal humorada. E assim eu vou levando, acho que consigo convencer a todos de que as coisas não estão piores do que aparentam.

Na faculdade eu traço uma nova teia de ilusões e enganações. Eu engano professores, colegas, a instituição e, principalmente a mim mesmo. E eu ainda me acho esperto fazendo isso. Eu faço resenhas de livros que eu não li, escrevo sobre assuntos que não conheço, enrolo em questões de provas, falto aulas aos montes.

Dessa forma eu vou passando de semestre em semestre, até chegar à formatura. Está funcionando, até hoje nunca reprovei em nenhuma cadeira, pelo contrário, minhas notas até que são bem altas. Mas como eu disse, é tudo uma farsa.

Meu emprego me impede de me dedicar mais na faculdade, os estudos me impedem de me dedicar mais no trabalho. Os dois me impedem de me dedicar mais a mim mesmo.

Eu escolhi isso, eu tento acreditar que isso é só uma fase da vida, uma fase tão árdua quanto necessária. Tento acreditar que daqui há alguns anos vou olhar para trás e ver que tudo valeu a pena. Tomara que eu esteja certo.

Mas enquanto esse dia não chega eu continuo destruindo meu intestino com porcarias, com lanches rápidos e gordurosos, eu sigo diariamente matando alguns neurônios por causa das poucas horas de sono, eu sigo enchendo o cérebro de cafeína. Dormir mal e comer mal, é essa a minha sina.

Essa vida turbulenta vai me transformando num cara esquisito, fora de forma, com olheiras tão grandes que fazem minha cara lembrar a de um urso panda. Me torno antipático, mal humorado, um zumbi sedentário. Não tenho tempo para minha namorada, não tenho tempo para minha família, não tenho tempo para o monte de livros, CDs e DVDs que eu vejo empoeirarem na minha estante. Eu escolhi assim, eu sei disso.

Dormir de noite não é comigo, acho muito engraçado quando ouço algum médico na TV ou no rádio falando sobre como deve ser sono ideal. Ah se eu pudesse fazer o que ele dizem...

Mas, não. Eu passo a noite trabalhando e as tardes - algumas, só quando dá - dormindo. Isto é, dormindo quando a vadia da minha vizinha dos fundos não liga o rádio a todo volume, aquela música da pior qualidade fica pulsando em meus tímpanos, as batidas vão me enchendo de um ódio tão grande que eu tenho medo de mim mesmo. Mas o que eu posso dizer? O errado sou eu, sou eu quem é todo atravessado, sou eu que sou do avesso.

Independente de minha vizinha colocar um sonzinho ou não, dormir durante o dia é uma tarefa difícil: o sol insiste em brilhar, os passarinhos cantam, pessoas conversam, carros e ônibus passam, cachorros latem, crianças brincam e eu... sofro.

Mas sofro porque eu quero, eu poderia muito bem largar a faculdade, pegar num obrão e seguir o resto de minha vida assim. Certa vez disse um sábio - um tal de Homer Simpson se não me engano - que quando os sonhos de um homem se limitam em repetir a sobremesa e dormir até mais tarde nos finais de semana, ninguém pode impedir que esses sonhos se realizem. Mas eu fiz minha escolha e vou continuar assim, afinal posso dormir nos finais de semana e também posso repetir a sobremesa, mas meus sonhos vão um pouco além disso.

Isso tudo é só uma fase, quero continuar acreditando nisso. Chorar é para os fracos, eu fiz minha escolha e está na hora de parar de reclamar.

sábado, 14 de março de 2009

Oscar, o grilo viajante

Acabada a cansativa noite de trabalho, estava eu já em cima de minha moto quando reparei que havia um carona. Esse carona era um grilo - ou seria um gafanhoto? Não sei bem ao certo, só sei que perante a dúvida sobre sua espécie resolvi dar-lhe um nome: Oscar, assim se chamaria o meu amigo grilo. Mas e se fosse uma grila? Não, ele não tinha cara de grila.

Bom, Oscar estava sentado em local desapropriado, em cima do painel da motocicleta. Um tanto desconfortável e perigoso o acento tomado pelo Oscar, mas como não acreditava que o mesmo permanecesse ali por muito tempo, resolvi não incomodá-lo.

De Porto Alegre, onde eu trabalho, até Cachoeirinha, onde eu moro, são aproximadamente 30 km. Surpreendentemente, meu amigo Oscar permaneceu a viagem inteira, inerte, no mesmo lugar, sem capacete nem nada.

Não demorou muito para que eu percebesse que havia subestimado Oscar, o vento forte e gelado da madrugada não surtiu nenhum efeito sobre ele, parecia que estava curtindo a viagem. Não sei exatamente quanto tempo vive um grilo, mas imagino que percorrer 30 km de moto é uma experiência única para qualquer inseto. Esse grilo mostrou-se corajoso, pegou a estrada sem rumo, de carona com um desconhecido - um desconhecido de outra espécie, vale ressaltar.

Chegamos em casa, Oscar e eu. Ele permanecia no mesmo lugar, no painel da moto, quando o deixei e vim para o meu quarto onde agora escrevo esse post.

Oscar migrou de Porto Alegre a Cachoeirinha, uma longa viagem para um grilo. Mas aposto que Oscar não se arrependeu, aposto que faria tudo de novo. Pensem no que esse grilo vai poder contar aos seus netos. Pensem no quanto ele poderá se gabar para os outros grilos, afinal, quantos deles já caíram na estrada? E de moto, ainda.

Pois eu tenho uma profunda admiração por pessoas – ou insetos – que nem o Oscar. Pessoas que não criam raízes, pessoas que não têm medo de pegar a estrada em busca da felicidade. Ou nem em busca da felicidade, em busca somente de uma quebra de rotina, de um acréscimo de sabedoria, experiência e aventura em suas vidas.

Tenho um amigo e colega de serviço que pensa que nem o Oscar. Ele está de passagem comprada e mala pronta para a Europa, para Londres mais especificamente. Esse meu amigo, o Flávio Soares, vai pegar um avião – apesar de se pelar de medo de voar – e vai para outro país, para outro continente. Mesmo não sendo de carona, como fez meu amigo Oscar, o Flávio também está seguindo uma trilha arriscada: não fala inglês fluentemente, não tem dinheiro para mais do que um mês sem emprego, e tem somente uma parca idéia do que vai fazer quando pisar em solo londrino.

Descer do avião, tomar o primeiro táxi que aparecer - já que não pode viajar no painel da moto de ninguém - e começar a desbravar as terras da Rainha, pouco dinheiro no bolso, mas muitos objetivos a buscar. Deve ser assim que meu amigo enxerga essa viagem.

Como já disse, admiro meus amigos viajantes. Por enquanto não os imito, só admiro...

quarta-feira, 11 de março de 2009

O homem de respeito

O primeiro lugar onde o homem deve ser respeitado é na sua própria casa. Não adianta nada sair cantando de galo na rua quando em seu próprio lar ele nem sequer chega a piar.

É em sua casa que o homem deve impor respeito, não com autoritarismo, nem machismo, nem nada. O homem deve impor respeito com sua atitude, seu exemplo, sua sabedoria.

O que adianta o homem sair aos quatro ventos dizendo o quão MACHO é, quando na sua casa quem abre o vidro de conservas é a sua mulher? O homem que quer conseguir o respeito dos outros antes do respeito de sua própria família vai fracassar como homem.

O homem tem que mandar e a mulher o cachorro obedecer, o homem tem que, depois de concluídos seus deveres, reivindicar seus direitos, sejam eles uma cerveja com os amigos, uma pelada no fim de semana, um futebolzinho na TV ou andar pelado pela casa.

O cara que acha que o respeito da rua é mais importante do que o respeito proveniente de sua esposa, de seus filhos, de seu cachorro, ou sei lá, do seu papagaio, esse cara não chegará a lugar nenhum na vida. Ele pode até ter uma vaga impressão de que tem o respeito de todos, mas na verdade não o tem. E por mais que se engane ele sabe que anda na rua de cabeça erguida, mas caminha pela casa de cabeça baixa.

O Grêmio parece não pensar assim. Ele quer ganhar a América antes de conseguir de volta o respeito em sua própria terra. Gaba-se de estar disputando uma competição internacional, mas quando joga em seu próprio Estado é abatido inapelavelmente pelo co-irmão e por times de menor expressão, fazendo sua torcida encolher de vergonha. O Grêmio abre mão do título gaúcho de uma forma que mais parece acovardamento do que qualquer outra coisa.

Em outras palavras, o Grêmio não é respeitado em sua própria casa.

Desdenhar o Gauchão parece ser uma forma de blindar jogadores e comissão técnica, já que a superioridade evidente do seu maior rival pode destruir com a falsa ideia de time competitivo gerada pelos próprios gremistas. A má campanha do tricolor no Gauchão, as recentes e humilhantes derrotas em Gre-Nais e a crise que se desenha no estádio Olímpico são frutos, justamente, dessa falsa ideia de superioridade criada pelo Grêmio. E essa pequena crise por qual o Grêmio está passando é remediada de uma forma, como já disse, muito covarde: abrir mão de uma competição em prol de outra.

Agindo dessa forma fica claro que o Grêmio não quer chegar à final do Gauchão. Não quer mesmo, não está colocando em segundo plano, simplesmente não quer. Parece que o Grêmio está com medo de chegar à final porque sabe qual adversário estará lhe esperando: o Inter. O Grêmio teme uma nova derrota em Gre-Nal, ele sabe o que isso pode significar. Isso mesmo, parece que o Grêmio está com medo do Inter, a ameaça alvi-rubra protagoniza os piores pesadelos dos gremistas.

Não vou cometer o absurdo de dizer que o Grêmio deveria priorizar o Gauchão ao invés da Libertadores, o que eu acho é que se o Grêmio não tem capacidade de disputar duas competições simultaneamente, se não tem um grupo qualificado para isso, diga para os seus torcedores a verdade. Diga que seu time não é capaz e pronto. Diga que a única esperança de vencer a Libertadores é sacrificando o Gauchão. Mas não saia espalhando por aí que o Gauchão é “cafezinho” porque a última vez que fizeram isso...

Enquanto o Grêmio não voltar a ser respeitado em sua própria casa, podem ter certeza que ninguém mais vai respeitar esse time.

sexta-feira, 6 de março de 2009

E a inquisição continua


"O arcebispo de Olinda e Recife excomungou nesta quarta-feira (4) a mãe, os médicos e outros envolvidos no aborto legal feito por uma menina de 9 anos. O padrastro confessou que abusava da menina desde os 6 anos.

Ao justificar sua ação, dom José Cardoso Sobrinho disse que, aos olhos da Igreja, o aborto foi um crime e que a lei dos homens não está acima das leis de Deus."


Fonte: www.tudoagora.com.br


Na verdade ser excomungado não significa nada, quem se importa com isso? Grandes coisas!

A Igreja, não é de hoje, é a portadora dos maiores preconceitos e injustiças que já existiram e/ou ainda existem. A história mostra por si só o quão ridícula é a palavra de Deus quando a mesma é dita pelos homens.

Não sei se a Igreja só quer aparecer ou se ela realmente está buscando espantar de vez os fiéis que ainda restam, sim, porque agindo dessa forma não vai demorar muito para que ninguém mais leve a sério as maluquices ortodoxas dos líderes católicos.

Ser excomungado pela Igreja só tem valor no sentido crítico à própria Igreja, já que dessa forma a máscara cai e fica evidente o quão responsável pelos diversos problemas do mundo são - não só a Católica - mas, todas as religiões do mundo.

Não quero abdicar as pessoas de terem sua fé, irem ao seu culto, sua missa, sua sessão de descarrego, macumba, exorcismo ou qualquer outra coisa, só quero que fique claro que o fanatismo e conservadorismo demasiados dos líderes dessas religiões, todas elas, só contribuem mais e mais para o fundo do poço ao qual o mundo está rumando.

Em tempos em que palavras como paz, esperança, fraternidade e outras mais estão cada vez mais escassas no vocabulário da humanidade, a Igreja Católica aparece e excomunga uma criança de nove anos que, assim como sua irmã portadora de deficiência, era violentada pelo padrasto. Excomunga a mãe e os médicos que realizaram o aborto. Mas e o estuprador? Ah, esse não precisa excomungar.

Como já disse, ser excomungado não significa nada, é tão ridículo quanto tantas outras práticas religiosas. Mas o que incomoda profundamente é que a Igreja, o Papa e seu bispado todo só pioram a situação.

O estuprador não será excomungado, coerente da parte da Igreja, já que seus padres pedófilos também não costumam ser.

A postura da Igreja é de um retrocesso sem tamanho: é contra o uso de contraceptivos, contra o homossexualismo, é contra a eutanásia é contra o aborto, é contra as pesquisas com células-tronco...

A Igreja é cega, assim como os fiéis que ficam alheios às decisões dos inquisidores que permanecem infiltrados - ou nem tanto - dentro dessa instituição religiosa ridícula que desde os tempos mais primórdios prega a guerra, o preconceito, a desigualdade e outros cânceres do nosso mundo. Malditos inquisidores, se pudessem ainda estariam queimando todo mundo na fogueira.

quarta-feira, 4 de março de 2009

"Quem tem Roth, tem medo"

Algum gremista muito amargurado levantou 50 fatos sobre o técnico gremista Celso Roth. Provavelmente, o resultado do último Gre-Nal foi o que levou esse gremista a fazer um levantamento tão detalhado sobre o glorioso técnico.

A lista chegou até mim através de um e-mail do meu amigo Flávio Aguilar, do blog Apartamento 73. Apesar de alguns desses itens serem piadas requentadas, elas servem perfeitamente para definer esse ótimo profissional - para o adversários, quero dizer. É como costuma dizer um outro amigo, o Eduardo Nunes: "Quem tem Roth, tem medo"

Segue a lista:

1. Celso Roth joga par ou ímpar com o espelho e perde. PEDINDO PAR!

2. O novo PES 2010 terá um novo modo: Very Hard, Hard, Médium, Easy, Very Easy, Amateur e Celso Roth Mode

3. Os criadores de PES e Winning Eleven não colocam técnicos nos jogos porque teriam que fazer Celso Roth, e o atributo "mentality" só vai até o 1

4. O maior feito na carreira de um jogador de futebol não é fazer 1000 gols. É ganhar um título com o Celso Roth no comando do time

5. Se Celso Roth ainda não fez merda, é porque ele ainda não definiu a escalação

6. Celso Roth não ganha a partida nem quando o outro time está com 6 jogadores em campo

7. Roth jogou roleta russa com um revólver completamente descarregado e perdeu

8. Se o Roth tem 1000 reais na carteira e você tem 5 reais, você tem mais dinheiro que o Roth

9. Roth perdeu o "Chuck Norris game"

10. Celso Roth perde mesmo quando faz Royal Flush

11. Roth jogou jogo da velha consigo mesmo e perdeu

12. Em Shrek, o papel do burro caberia inicialmente ao Celso Roth. Mas o IBAMA pro estou, alegando que era uma ofensa aos burros.

13. Celso Roth tem QI negativo

14. Os jedis podem controlar a mente de Celso Roth

15. Se você acertar em algo um dia, fique tranqüilo, você obviamente não é Celso Roth

16. Celso Roth perdeu a virgindade depois do filho

17. Se você procurar no google por "Celso Roth ganha um título", nenhum resultado
será encontrado, por motivos óbvios.

18. Celso Roth leva 90 minutos pra passar uma hora

19. A famosa frase de Einstein "Apenas uma coisa eu tenho certeza que é ilimitada: a ignorância humana" foi dita depois que ele conheceu Celso Roth

20. Roth perdeu para ele próprio jogando Football Manager

21. Celso Roth faz uma cebola chorar

22. Deus ora para que Celso Roth fique inteligente.

23. Celso Roth foi reprovado num vestibular onde apenas ele participou.

24. Dizem que a ilha de "Lost" na verdade é o cérebro de Celso Roth

25. Quando Celso Roth nasceu, o doutor em vez de dar um tapa nele, deu no pai dele

25. Quando Celso Roth nasceu, o doutor em vez de dar um tapa nele, deu no pai dele

26. Quando Saddam Hussein estava para ser morto ele poderia escolher entre ser
enforcado ou ver Celso Roth treinando seu time. Ele preferiu a primeira opção.

27. Roth não é politicamente correto. Ele nunca está correto. NUNCA

28. Nos tempos de ditadura no Brasil as pessoas escolhiam se preferiam ser afogadas
e levar choque, ou ver Celso Roth treinando o seu time.

29. Celso Roth já teve outras carreiras além de treinador. Em 1929, ele trabalhava na Bolsa de Valores.

30. Quando Celso Roth lê um livro, o livro fica burro

31. Para cada burrice cometida no mundo, Celso Roth comete mais oito

32. O diabo criou o inferno porque não suportava mais o Celso Roth

33. Conte até dez… Esse é o tempo que Roth demora pra fazer merda. 42 vezes.

34. O tamagochi do Celso Roth já veio morto.

35. Quando pensou que estava errado, Celso Roth acertou pela primeira vez na vida.

36. Outras carreiras de Celso Roth? Ele já dirigiu um barco chamado titanic, e
recentemente pensou em mudar de profissão, ao tentar ser piloto de avião da TAM

37. Celso Roth inventou a palavra "burrice"

38. Mandar o Roth pro inferno não adianta nada, muito pelo contrário, pois você
compra uma briga feia com o diabo.

39. Na bandeira do Brasil, as bolinhas vermelhas significam o número de vezes que
Celso Roth ganhou um título

40. Celso Roth só possui membros inferiores, afinal, ele nunca é superior em nada

41. Sorte de hoje: Você não é Celso Roth

42. Se parece com galinha, cheira como galinha e tem gosto de galinha, Celso Roth diz que é um bife

43. Celso Roth não tem reflexo no espelho. O reflexo tem vergonha de aparecer

44. O cúmulo da burrice não é Celso Roth. E sim contratar ele para o seu time

45. O teclado de Celso Roth não tem a tecla "Ctrl". Ele nunca está no controle!

46. Como disse o presidente americano Roosevelt: "Não temos nada a temer a não ser o
próprio medo. E Celso Roth treinar o nosso time."

47. O estádio dos Aflitos tem esse nome desde que Celso Roth decidiu treinar o
Náutico

48. Dunga decidiu ser treinador quando Celso Roth disse que ele tinha potencial

49. Quando Celso Roth fuma maconha, o baseado fica doidão

50. Jogando Counter Strike, Celso Roth morreu com um Flash Bang.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Conterrâneos

Domingo de Gre-Nal


Tenho 22 anos e já vi muitos Gre-Nais, porém não consigo conter a ansiedade e o nervosismo a cada novo clássico que se aproxima. O sectarismo das duas torcidas, a paixão cega e absurdamente doentia ornamenta o clássico gaúcho com uma beleza única. E quando digo beleza, não me refiro ao belo futebol, não me refiro às jogadas de classe, aos lances bonitos, nada disso. A beleza do Gre-Nal está nos olhos de quem vê: o torcedor.

Digo isso, porque dificilmente temos um bom Gre-Nal de futebol, pelo menos não nos significados brasileirísticos do termo. O Gre-Nal é um jogo onde a distinção é justamente pelo contrário, é um jogo de muita marcação, muitas faltas, pancadaria dentro e fora de campo e ânimos acirrados dos dois lados.

Poucos gols e muita correria, é assim que se caracterizam a maioria dos Gre-Nais, e não importa o quanto um time está melhor que o outro, não existe Gre-Nal fácil, claro, a uma o outra excessão a regra, mas mesmo essas excessões são completamente imprevisíveis, já que prever uma vitória por meio a zero já é muito arriscado, seja para qualquer um dos lados.

A violência deflagrada nos últimos confrontos entre Inter e Grêmio, infelizmente, tirou um pouco do brilho do clássico, principalmente no que se refere às arquibancadas, muitos são os pais que já não tem coragem de levar seus filhos para o clássico com medo dos enfrentamentos de tricolores e colorados.

Felizmente os brigões ainda são minoria, e quem se dá conta disso e resolve ir ao jogo tem a chance de ver o maior espetáculo da nossa terra, onde a paixão transborda dos torcedores através de suas gargantas sempre afindas em pról de seu time.

No Gre-Nal desse domingo minha namorada e eu tivemos a felicidade de ver nosso time vencer, e é realmente maravilhosa a sensação de alívio, de alegria, de explosão. O Gre-Nal é assim, são duas vitórias em um único jogo: você vê seu time vencer e vê seu rival perder, e por mais sádico que possa parecer, ver seu adversário sofrer uma derrota é quase tão bom quanto ver seu time ganhar quando se trata de Gre-Nal.

Gre-Nal é Gre-Nal, essa frase já foi e será repetida muitas vezes, e ela, com certeza, é a que melhor define o que é um Gre-Nal: um Gre-Nal. É muito mais que um simples jogo, é um duelo de paixões, um duelo entre dois times que só são grandes do jeito que são graças ao co-irmão, porque ninguém quer ficar pra trás, ninguém quer perder, nunca.

O torcedor gaúcho nem gosta tanto de futebol quanto gosta dos seus times, é possível afirmar que existam torcedores fanáticos dos dois lados que nem sequer gostem de futebol, gostem apenas daquilo que se refere ao seu time e seu rival. E é por essas e outras que, na minha opinião, esse é o maior clássico do mundo.