quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

E o Oscar vai para...


Como trabalho e estudo, fui obrigado a desenvolver uma técnica especial, quase um superpoder, que me ajuda a continuar empurrando com a barriga a faculdade. Bom, na verdade desenvolvi essa técnica ainda antes de trabalhar e estudar simultaneamente, mas foi mais por preguiça do que por qualquer outra coisa. Só que eu só aprimorei essa técnia na faculdade.

Essa técniaca consiste em fazer resenhas de livro que eu não li, escrever dissertações sobre temas que eu não domino e até desconheço, defender com argumentos sólidos a minha opinião sobre uma questão na prova em que eu chutei a resposta. Ou seja, é a técnica da enrolação, não trapaça, enrolção mesmo. É quase como ganhar uma discussão sem estar com a razão, apenas interpretando estar certo com tal convicção, de uma forma tão hábil, que eu mesmo acredito no que estou dizendo.

Poderia usar essa técnica nesse post, quando me proponho a falar de um Oscar em que vi somente três dos filmes que estavam concorrendo, mas não, meus hahahaha muitos leitores não merecem que eu aja de tal maneira, assim vou agir com total trasparência e humildade, e falarei do Oscar limitando minha opinião aos filmes que eu assisti: Wall-E, O Homem de Ferro e Batman - O Cavaleiro das Trevas.

A animação Wall-E concorreu a seis Oscar, venceu apenas como melhor animação - vitória que era evidente -, os outros cinco prêmios em que ele concorria eram todos técnicos, mas, na minha opinião, Wall-E deveria estar concorrendo também como melhor filme.

O Batman - O Cavaleiro das Trevas levou dois prêmios: melhor edição de som e melhor ator coadjuvante, que era tão certo que seria vencido pelo finado Heath Ledger quanto afirmar que existem africanos na África. Gostei muito desse Batman, e também acho que deveria ter concorrido a melhor filme, mas enfim...

O outro filme que estava concorrendo no Oscar era O Homem de Ferro, que acabou não levando nenhum dos dois prêmios em que estava concorrendo. Esse eu não acho que deveria concorrer a melhor filme.

Tendo em vista minha opinião limitada e particular do Oscar, essa seria a minha lista de vncedores, com uma pequena justificativa sobre cada escolha:


Melhor filme:

- Batman - O Cavaleiro das Trevas

- Wall - E

- O Homem de Ferro

*Sem dúvida o melhor filme de super-heróis já feito até hoje, exorcisou todos os lixos da antiga série de Batmans.



Melhor ator:

- Christian Bale (Batman - O Cavaleiro das Trevas)

- Robert Downey Junior (O Homem de Ferro)

- Robozinho do Wall-E (Wall-E)

*Sabe, até que esse cara é legal.



Melhor atriz: (putz)

- Maggie Gyllenhaal (Batman - O Cavaleiro das Trevas)

- Gwyneth Paltrow (O Homem de Ferro)

- Robozinha namorada do Wall-E (Wall-E)

*A robozinha é temperamental e malucona, merece ficar com o prêmio.



Melhor diretor:

- Christopher Nolan (Batman - O Cavaleiro das Trevas)

- Jon Favreau (O Homem de Ferro)

- Andrew Stanton (Wall-E)

*O cara matou a pau.



Melhor filme em língua estrangeira:

- Batman - O Cavaleiro das Trevas

- O Homem de Ferro

- Wall-E

*Como todos são em língua estrangeira, pelo menos pra mim, voto no Wall-E, já que o robozinho não fala língua nenhuma.



Melhor canção original:

- Batman - O Cavaleiro das Trevas

- O Homem de Ferro

- Wall-E

*Bah, não podia deixar de ficar com O Homem de Ferro, eu quase chorei quando rolou um Black Sabath no final do filme, embora a música Iron Man não seja tão original assim.



Melhor trilha sonora original:

- Batman - O Cavaleiro das Trevas

- O Homem de Ferro

- Wall-E

*Sei lá, pode ser o Wall-E?



Melhor edição:

- Batman - O Cavaleiro das Trevas

- O Homem de Ferro

- Wall-E

*Uma boa edição pode esconder um filme ruim, o que não foi o caso, mas tudo bem.



Melhor mixagem de som:

- Batman - O Cavaleiro das Trevas

- O Homem de Ferro

- Wall-E

*Esse eu tirei na moedinha, não entendo nada de mixagemn de som.



Melhor edição de som:

- Batman - O Cavaleiro das Trevas

- O Homem de Ferro

- Wall-E

*Na moedinha de novo.



Melhores efeitos especiais:

- Batman - O Cavaleiro das Trevas

- O Homem de Ferro

- Wall-E

*Um cara com roupa de ferro que sai voando por aí sempre tem preferência nesse quisito.



Melhor ator coadjuvante:

- Heath Ledger - Batman – O cavaleiro das trevas

- Samuel L. Jackson - O Homem de Ferro

- O computador falante da nave - Wall-E

*Sério, o Coringa está assustador!



Melhor fotografia:

- Batman - O Cavaleiro das Trevas

- O Homem de Ferro

- Wall-E


*Muito bonita a paisagem de todo aquele lixo na terra, gostei.



Melhor maquiagem:

- Batman - O Cavaleiro das Trevas

- O Homem de Ferro

- Wall-E

*Como robôs e homens de ferro não usam maquiagem, vamos deixar o prêmio com o bom e velho Coringa que usa bastante.



Melhor figurino:

- Batman - O Cavaleiro das Trevas

- O Homem de Ferro

- Wall-E

*Ai, a fantasia do Batman é tudoooo!



Melhor direção de arte:

- Batman - O Cavaleiro das Trevas

- O Homem de Ferro

- Wall-E

*Droga, cadê a moedinha? Ah, achei.



Melhor longa de animação:

- Batman - O Cavaleiro das Trevas

- O Homem de Ferro

- Wall-E

*O prêmio mais merecido e justo de todos.



Melhor roteiro adaptado:

- Batman - O Cavaleiro das Trevas

- O Homem de Ferro


- Wall-E

*Apesar de ter pouca ação, o filme foi muito fiel a história.



Melhor roteiro original:

- Batman - O Cavaleiro das Trevas

- O Homem de Ferro

- Wall-E

*Acho que é o único mais original dos três.



Melhor atriz coadjuvante:

- Maggie Gyllenhaal (Batman - O Cavaleiro das Trevas)

- Gwyneth Paltrow (O Homem de Ferro)

- Robozinha namorada do Wall-E (Wall-E)

*Seguindo com coerência, a robozinha quebrou tudo, cara!



Obs 1. Os prêmios de Melhor documentário de curta-metragem, Melhor documentário de longa-metragem, Melhor curta-metragem e Melhor animação de curta-metragem, não foram entregues esse ano por motivos óbvios.

Obs 2. Quando estava acabando essa lista descobri que também assisti Kung FU Panda, mas aí já era tarde para incluí-lo na premiação.

Obs 3. Quero deixar claro que a premiação do Oscar não tem nenhuma significância para mim, e nunca terá, até que Jim Carrey leve uma estatueta, ou ao menos concorra ao prêmio de melhor ator.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

(Ainda) Sangue no Oriente Médio


























Nada mais previsível do que o choque atual entre israelenses e palestinos. Mas apesar de ser previsível, esse conflito também era inevitável.

O sangue está jorrando feito chafariz lá pelas bandas do Oriente Médio, principalmente do lado mais fraco do muro: o lado dos palestinos.

Foram quase 4 décadas sob a opressiva ocupação judaica e o comando negligente, corrupto e doidão de Arafat, o que fez com que, hoje, os palestinos entregassem suas vidas àqueles que falam em nome do diabo? de Deus, o grupo local Hamas.

A ilógica crença dos palestinos em um Deus que premia com mil virgens àqueles fiéis - homens-bomba - que aceitam voar em pedaços pelos ares levando consigo alguns inimigos é apenas um dos fatores absurdos que contribuem para que a matança não termine.

Essa teologia assassina leva o Hamas a atacar incessantemente Israel, negando acordos de cessar fogo, e partindo numa ofensiva irrisória e suicida sob os gritos de Deus é grande. Mas que Deus grande mesmo, esse deles.

Os ataques do Hamas não chegam a causar danos reais a Israel - tira-se daí civis inocentes -, o que faz com que qualquer resposta venha a tornar-se totalmente desproporcional. O governo israelense alertou durante dias que responderia com força letal se a barragem diária de foguetes lançada de Gaza não cessasse. E a força letal usada acaba apenas fomentando mais radicalismo entre a população palestina, o que o Hamas explora com cinismo exemplar.

Assim, temos o que se vê e que já se repete: um ciclo de ataques e contra-ataques, mortes, sangue e dor, para ambos os lados.

É paradoxal ver um povo que durante séculos foi perseguido na Europa, demonstrar um maneira tão selvagem e irracionária, combatendo pedradas com artilharia pesada. E torna-se mais pradoxal ainda quando ao analisarmos a história nos damos conta de quem é que está com a culpa nessa história toda.

Por mais compreensível que seja o fato de um povo tão perseguido ao longo de sua existência reivindicar um santuário de paz, é inevitável dar-se conta de que o sionismo agiu com total desrespeito e desconsideração aos povos autóctones: os palestinos. E é justamente por isso que Israel tem a maior culpa misso tudo, já que todos os crimes cometidos - de ambos os lados - são provenientes da injustiça inicial cometida contra os palestinos.

O que ajuda a nebular ainda mais esse conflito é que o extremismo islâmico não é aberto às possíveis soluções - por enquanto apenas hipotéticas - que se possa dar para o conflito. Isso complica mais ainda a situação, já que um simples pedido de desculpa não bastaria para que os povos pudessem passar a conviver em paz.

Com todos os erros - repito, de ambos os lados - fica cada vez mais longe a previsão de um acordo de paz, mas já podemos nos posicionar junto de quem está com a razão, e não é nem do lado esquerdo e nem do lado direito do muro, mas sim em cima dele. Aqueles que se cituam em cima do muro são os conciliadores, os moderadores, os pacificadores. E é para eles que deve ir todo o apoio, de todas as nações, porque assim como todo o sangue derramado até agora, eles também provém dos dois lados.

Charge 5

Charge 4

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Deixa ver se eu entendi


Economia não é o meu forte, por isso não queria postar nada sobre essa "marolinha" econômica da qual estamos todos com medo. Mas acontece que tudo me parece muito simples e como - já disse - não entendo muito de economia, desconfio de que meu raciocínio possa estar errado.

Ao que me parece, essa crise foi causada pela - tão conhecida por todos - falta de dinheiro. Isso acontece com muita gente, eu sei, porém quando alguém que supostamente tem muita grana - uma multinacional, por exemplo - fica pelado, é sinal de que a coisa está feia mesmo. Tão feia que se desacortina ameaçadoramente pelos meios midiáticos, estabelecendo o medo e a insegurança nos trabalhadores.

Todos conhecem o simples exercício de receber seu salário, pagar suas contas, comprar o necessário para manter sua sub-existência e gastar o restante com o que bem entender, sexo, drogas e rock'n'roll, por exemplo.

Só que existe um outro exercício econômico um tantinho mais complexo do que esse: a economia virtual. A economia virtual é aquela em que o dinheiro é eletrônico e fica oscilando de um ponto ao outro em busca da maior rentabilidade. Economia virtual, resumindo, é aquela dos banqueiros e investidores.

Descobri que além de ser um pobre na vida real, também sou pobre no mundo virtual. Ohhh saco! Mas digamos que eu não fosse pobre e que acordasse um dia com vontade de tirar todo meu dinheiro do banco e construir um piscina igual a do Tio Patinhas. Tudo bem, eu conseguiria fazer isso, mas e se todo mundo resolvesse fazer isso ao mesmo tempo? Com certeza o banco não teria dinheiro para pagar a todos de uma vez só.

O banco não teria dinheiro para nos pagar porque os bancos não emprestam dinheiro de verdade quando fazemos um financiamento. Eles simplesmente digitam alguns dados num terminal de computador e o crédito aparece como num passe de mágica nas nossas contas. Este dinheiro não veio de outro correntista, ele simplesmente apareceu do nada na sua conta, mas agora você tem uma dívida para com a instituição financeira e vai ter que paga-la com juros e em dinheiro real, que será posteriormente incorporado ao capital do banco.

Então o jeito vai ser fazer uma piscina virtual com dinheiro virtual.

Assim, quando todos percebem que todo aquele dinheiro virtual não existe entre os bancos, todos entram em pânico e começam a desconfiar uns do outros criando assim uma marolinha crise econômica.

É assim que eu entendo essa turbulência global que todo dia aparece de forma assombrosa em todos os meios de comunicação. Mas não pode ser tão simples, como não perceberam que isso iria acontecer um dia? E se perceberam, por que não fizeram nada?

Bom, caso eu esteja equivocado em meu entendimento da crise, peço, por favor, que alguém comente esse post me explicando o que realmente está acontecendo. Mas caso eu esteja certo... quanta incompetência!!!

Charge 2

Charge 1

A face da destruição feiura

Depois perceber sua extrema falta de fotogenidade exposta em outdoors pelas ruas da Capital, a governadora Yeda Crusius deverá seguir o exemplo da Dilma Rousseff, fazendo uma plástica para melhorar a aparência, já que com essa foto ela acaba de superar a Cuca e o Bicho-Papão no pesadelo de todos os gaúchos das crianças.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

14*08*1993

Conforme sugestão de meu AMIGO, esse é o título do post abaixo: 14*08*1993.

PS; Por mais ricas que as pessoas sejam, tem uma coisa que elas nunca poderão comprar... um dinossauro!

14*08*1993


Eu tenho um AMIGO.

Na verdade eu tenho vários amigos, mas apenas um AMIGO.

Eu tenho um AMIGO. Essa frase bastaria, afinal, já estou dizendo com ela tudo o que as próximas palavras desse post vão dizer.

Não vou contar a história de nossa amizade, talvez em outro post, quem sabe. O que vou fazer é tentar explicar o quão significante é pra mim saber que tenho esse AMIGO.

É lugar comum dizer que são poucas as pessoas que têm amigos de verdade, mas isso é um fato. Sei que quase ninguém tem amigos que levam até as últimas consequências o significado da palavra "amigo" como esse meu AMIGO leva. É muito bom saber que existe alguém que você pode contar a qualquer momento, alguém que pensa em sintonia com você, que parece ter os olhos afinados pelos seus, enxergando da mesma forma coisas que você pensa ser o único a ver de certos ângulos.

Muitas vezes, para que alguém te considere inteligente, basta que você concorde com esse alguém. Isso me alivia, porque são muitas as vezes que discordamos, que pensamos diferente, e mesmo assim considero esse meu AMIGO uma pessoa de uma inteligência extremamente estendida.

Sua inteligência, a sua forma de ver as coisas, é desproporcional ao seu nível de graduação, o que nos leva a pensar que seu intelecto foi lapidado por sua experiência, por sua mente aberta e inconformada. Talvez esse meu AMIGO, que ao longo de sua vida sempre teve uma edição de jornal em suas mãos, buscou nas muitas manchetes que leu, nas mais de mil capas que já expôs, o conhecimento objetivo - porém não incontestável - de que precisava.

Tentei escrever da forma menos melosa possível, o que não consegui fazer desde o primeiro parágrafo, assim não abdicarei do direito de citar, apenas, 10 momentos marcantes de nossa amizade.

1 - Meu AMIGO passou à noite numa fila em frente a um colégio público para que eu conseguisse me matricular na escola onde eu viria a completar o ensino fundamental.

2 - Meu AMIGO me emprestou o primeiro livro que eu li.

3 - A primeira guitarra que eu segurei na mão era dele, guitarra que ele viria a me emprestar e que permanece comigo até hoje. Anos depois ele viria a ser o único maior fã da minha banda.

4 -
Meu AMIGO foi a minha maior expiração vestuária até poucos dias atrás, inclusive foi ele quem me deu minha primeira camisa preta.

5 - Meu AMIGO me apresentou os Ramones, fato que, talvez, tenha sido o maior divisor de águas da minha vida.

6 - Meu AMIGO me levou no primeiro show de rock, me empurrou para dentro da primeira roda punk e foi o primeiro com quem bati cabeça ao som pesado de uma banda de rock.

7 - Meu AMIGO, com suas influências, me arranjou meu primeiro emprego.

8 - Meu AMIGO me ensinou a usar um caixa eletrônico e andar no centro, é que eu era - nas palavras dele - meio João-do-passo-certo.

9 - Meu AMIGO foi comigo comprar minha moto, ele quem a trouxe da loja quando eu ainda nem tinha carteira.

10 - Meu AMIGO me convidou para um churrasco na casa dele, ontem, junto com minha tia (sua esposa) e meus primos (seus filhos). Estava ótimo.


Poderia ficar horas escrevendo sobre o quão importante é essa amizade, mas não há necessidade disso. Ele, melhor do que ninguém, sabe que podemos passar horas a fio conversando e discutindo sobre os mais variados temas, rindo das coisas mais absurdas, tão absurdas que seriam desprovidas de qualquer sentido para qualquer um que se atrevesse a sentar por perto. Saudosos algumas vezes, nem tanto em outras, nós dois já viramos noites e dias conversando em alto e bom som, filosofando sobre as coisas da vida e até da morte.

Sei que da mesma forma que eu o uso de modelo certas vezes, ele também me usa como espelho em outras, e é isso que torna nossa amizade tão forte. Não importa que a vida tenha nos afastado um pouco, que passemos menos tempo juntos do que gostaríamos. O que importa é que, por mais que o tempo passe, nunca vai nos faltar assunto. E é assim que tem que ser, pode faltar tempo para nossos assuntos, mas nunca assuntos para nosso tempo.

Sem mais delongas, vou chegando ao final do post, não por falta do que falar, como já havia dito, mas porque, diferente de nossa amizade, esse texto tem que acabar de alguma maneira. E chego ao final do post sem ter ainda pensado num título, o que me traz a ideia de pedir para que meu AMIGO comente nesse texto, deixando uma sugestão de título para essa humilde homenagem. Assim que esse post for lido por ele, haverá um título sobre essas palavras.

Na tela da TV no meio desse povo...


Sei que quanto mais nos focamos nas coisas que odiamos, menos tempo temos para a coisas que gostamos. Isso até faz sentido quando se pode ignorar as coisas que se odeia. Mas e quando se odeia algo que nos é enfiado guela a baixo, sem chance de escapar?

Com o Carnaval é assim, eu o odeio com cada fio de cabelo do meu corpo - incluindo os do saco - mas sou obrigado a aturar. Quem mandou nascer no Brasil?

Pra mim, o Carnaval mais parece a festa da aceitação e submissão do povo brasileiro. O povo se fode o ano todo, não tem emprego, não tem segurança, não tem saúde. Mas deixa o povão ouvir um reco-reco ou um pandeiro pra ver, o povão enlouquece.

Nessa época do ano, é possível encontrar depoimentos na mídia de gente que dá a vida pelo Carnaval e por sua escola de samba. Tem gente que trabalha 24 horas de graça nos carros alegóricos. Eu disse de graça, por amor.

Mas tudo bem, esse povão que trabalhou duro e de graça vai ter suas recompensas, afinal, quer honra maior do que ficar escondido embaixo do mesmo carro alegórico que construiu, carregando, feito burro de carga, os turistas, marajás e celebridades que adoram o Carnaval?

Enquanto esses otários estão se matando, os artistas globais ficam desfilando com suas fantasias de R$10.000. Mas o povão gosta.

E olha lá no Nordeste, uh festa boa! Será que não é graças ao Carnaval nordestino que hoje somos 180 milhões no Brasil? Sim, porque atrás do trio elétrico...

E não adianta o Governo sair destribuindo camisinha por aí, que elas viram balão antes mesmo da orgia começar.

A alegria desenfreada do Carnaval nordestino poderia não ser tão ridícula se o estágio avançado de felicidade crônica em que se encontram não fosse entendido como: todo mundo breaco. Todo mundo enche o caneco, chega no estágio de dançar ridiculamente as marchinhas tradicionais de Carnaval sem vergonha de ser feliz e sem medo do amanhã, depois sai andando por aí sem camisa, com a barriga peluda de fora, faz um xixi ali no poste do meio da rua e com a ajuda de Deus - porque o Diabo é o pai do Rock e não quer nada com essa gente - volta pra casa.

Tudo seria plenamente suportável, afinal isso acontece a centenas de quilômetros daqui e, felizmente, no Rio Grande do Sul o Carnaval é praticamente inexpressivo, mas as mídias dão uma abrangência tão grande para essa festa idiota, que dá vontade de mudar de país.

E não é só a imprensa não, as vinhetas de carnaval estão entre as piores torturas da humanidade: NA TELA DA TEVÊÊÊÊÊ NO MEIO DESSE POOOOOOOOOOOOVO, A GENTE VAI SE VER NA GLOOOOOBOOOOOOOO, onde o simbolo da globo aparece com seu plim-plim habitual, acompanhado de meia dúzia de caras segurando um pandeirinho com duas periguetis cobertas com glitter e sandálias de acrílico disputando pra ver quem rebola mais e arreganha mais os dentes. Ou a Deus que me perdoe Globeleza, sambando o melôzinho já citado no título e no começo dessa frase. Repita a operação a cada 5 minutos. Mas podia ser pior, lembram das vinhetas do SBT, com o Silvio Santos cantando suas marchinhas?

Mas, o povão gosta!

E o pior é que o Carnaval vai acabar e esses mesmos foliões que puxaram carro alegórico, trabalharam de graça, dormiram na fila pra comprar ingressos para os desfiles e etc, vão estar reclamando de estarem trabalhando demais e ganhando muito pouco, vão sair por aí reclamando do patrão que têm.

Pra essas pessoas eu só digo uma coisa: "a pipa do vovô não sobe mais..."

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

O segredo da felicidade


Malditas férias, sempre me fazem perceber o quão deprimentes são o resto dos dias em que eu não estou de férias.

Cheguei à conclusão de que a vida só é boa quando não temos nada pra fazer. Quando digo nada pra fazer, quero dizer exatamente isso, NADA.

Odeio ouvir gente dizendo que ama o trabalho, que adora trabalhar e se sentir útil. Isso não pode ser verdade. Não pode.

Ninguém em sua sã consciência pode gostar de trabalhar, ou estudar, ou fazer qualquer outra coisa que não seja exatamente aquilo que você gostaria de estar fazendo no momento em que se está fazendo algo que não queria estar. É simples. Se você gosta de trabalhar é por que não tem nada de bom pra fazer da sua vida, sua casa é ruim, sua família é ruim, você é tão ruim que precisa trabalhar para evitar ficar sozinho consigo mesmo.

Quem gosta de trabalhar não tem nada de bom pra fazer e é triste por isso, é diferente de quem é feliz por não ter nada pra fazer e fica feliz por isso. Não que eu seja vagabundo, longe de mim, é que... bom, continuem lendo que vocês vão entender.

Eu descobri o segredo da felicidade, é algo simples, porém praticamente inalcançável para a maioria das pessoas, que é: NÃO FAZER NADA.

Não fazer nada, é isso. Não ter nada pra fazer significa que você tem tempo para fazer qualquer coisa. Se você não tem nada pra fazer não vai importar a hora que você vai acordar ou que vai tomar banho. Se você não tiver nada pra fazer não vai precisar do relógio, o maldito relógio do qual somos todos escravos.

Pois eu tenho muito o que fazer na maioria do tempo, e eu voz digo com maior certeza que isso é horrível. Meu dia é dividido entre coisas que faço por obrigação ao invés de coisas que gostaria de fazer por prazer. Divido minhas 24 horas do dia entre as 8 horas de trabalho, 4 de faculdade, mais o tempo de trajeto para um e para outro, e o que sobra eu gasto comendo e dormindo. Ou seja, onde está minha vida?

Não quero ficar chorando, mas é que depois que descobri o segredo da felicidade não consigo mais me conformar com a vida que levo. Eu só queria não precisar fazer nada.

Sei que todos – infelizmente – precisam trabalhar e ter obrigações, mas por Deus, não me digam que isso é uma coisa boa. Eu não sou ambicioso, não gostaria de ter muito mais do que tenho agora, só queria ter mais tempo ocioso em minha vida, e o trabalho e a faculdade são as duas coisas que não permitem que assim seja. Se o dia tivesse 36 horas, pelo menos.

Dizem que o trabalho e falta de tempo livre é o preço que se paga pela evolução, pois acho que esse preço é demasiadamente caro.

Não ter nada pra fazer é sinônimo de liberdade, sinônimo de vida, de felicidade.

Quando digo que não ter nada pra fazer é uma coisa boa, não estou falando das tardes de domingo em que caímos na depressão por ter de sentar na frente da TV garimpando algum canal com algo interessante para assistir, porque não temos nada pra fazer. Isso acontece no domingo porque sabemos que no outro dia é segunda-feira e vai começar tudo de novo. Se soubéssemos que na segunda não teríamos nada pra fazer, com certeza nosso domingo seria bem melhor.

O meu "nada pra fazer" refere-se a não ter horário, não ter obrigações e nem deveres.

Se eu não tivesse nada pra fazer eu faria tanta coisa, poderia ler o monte de livros que comprei mas que ainda não tive tempo de conferir se as letras estão lá realmente, olharia filmes, tocaria violão, coçaria o saco a barriga deitado na cama e ouvindo um rockzinho antigo que não tem perigo de assustar ninguém. Enfim, faria muita coisa.

Quando não se tem nada pra fazer, se pode fazer muito, se pode fazer aquilo que se quer fazer, e na hora que se quer fazer. Não se precisa planejar pra sábado aquilo que você gostaria de ter feito a semana toda. E digo mais, você nem precisa fazer nada quando não tem nada pra fazer, basta você ter aquela sensação de que está disponível para fazer qualquer coisa que queira fazer, afinal você não tem nada pra fazer mesmo.

Mas veja bem, não pense que eu gostaria de estar desempregado, nada disso, ou melhor, até poderia ser, desde que eu ganhasse alguma pensão de alguém para alimentação, moradia e para manter tudo o que tenho nesse exato momento. Entenderam porque a felicidade é inalcançável? A não ser que eu ganhe uma herança milionária, acerte na loteria ou participe do BBB eu nunca serei feliz de verdade.

Espero que um dia possa desfrutar dessa felicidade, afinal sonhar não custa nada. Espero também que minha chefe nunca leia esse texto.

Paradoxal

E a Eluana Englaro, personagem do post abaixo, morreu. Mais um paradoxo se levanta com isso, já que era seu pai quem mais queria que isso acontecesse. Pois aconteceu. Será que ele está feliz com isso? Acho que não, mas aliviado ele está com certeza.

Que descanse em paz.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

O direito de morrer


Coloque-se no lugar de uma pessoa que sofreu um acidente gravíssimo e que agora se encontra em estado vegetativo. Um estado vegetativo que dura mais de 17 anos. Complicado, não?

Você não consegue falar, não consegue andar, não consegue pensar. Você só respira e se alimenta por causa dos canos que ficam enfiados em você 24 horas por dia.

Por 17 anos você permaneceria na mesma posição em sua cama, noite, dia, todas estações do ano. É estranho pensar que a vida continua fora das quatro paredes brancas do hospital que se tornou, ao mesmo tempo, sua casa e prisão. Você pelo menos não iria reclamar de falta de tempo, não é?

Pois bem, Eluana Englaro, é uma garota italiana que sofreu um grave acidente de carro em 1992 e desde então é mantida viva com o auxílio de tubos que a alimentam e a ajudam a respirar artificialmente.

É um tanto mórbido pensar no que a garota faria se pudesse escolher o seu destino. Não sabemos e nem nunca saberemos se ela optaria por cotinuar vivendo ou se optaria pelo desligamento dos aparelhos. Mas como não se pode, sequer, esperar um segundo de lucidez dela para que ela levantasse o polegar sinalizando sua decisão.

O caso torna-se mais pesado justamente pelo fato de que a pessoa mais indicada para decidir sobre sua própria vida, ou seja, ela mesma, está incapacitada de resolver seu próprio dilema.

Não quero ficar em cima do muro, portanto me compenetrei em uma forte reflexão sobre o assunto, o que me fez um pouco de mal, confesso.

Seria tudo mais simples, como já disse, se a própria garota decidisse sobre continuar vivendo ou não. Mas já que a mesma não pode o fazer, seu pai tomou para si a responsabilidade de tomar a decisão pela sua filha. Acho justo, ninguém melhor do que os pais para decidir o que é melhor para os filhos, mesmo que o melhor seja a morte.

Peço-lhe, por gentileza, que me deixe propor mais uma suposição.

Coloque-se no lugar de um pai que viu sua filha envolvida em um grave acidente automobilístico. Sua filha não morreu - pelo menos não no sentido literário da palavra - mas encontra-se em coma profundo. Você vai passar muito tempo perto dela, ligando para o hospital para ter notícias, perdendo dias de trabalho e noites de sono. Digamos que você fique um ano nessa rotina.

Agora imagine tudo isso de novo, mas trocando o "um ano" por "dezessete anos".

Dezessete anos é quase a minha idade. Veja bem, é uma vida inteira.

Os pais lutam para garantir a sobrevivência do filho, mas em casos como esse o paradoxo se deflagra de tal forma que rompe todas as barreiras da coerência humana.

Imagine-se um pai que se vê em um tribunal, lutando pelo direito de deixar a filha morrer. Não sei se palavras como dor, humilhação, dúvida e outras tantas outras, serviriam para descrever tal absurdo.

Pois o governo conservador italiano publico um decreto emergencial para impedir que uma mulher mantida em estado vegetativo há 17 anos tenha desconectados os tubos que a mantêm sendo alimentada artificialmente. O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, anunciou que o decreto declara que a alimentação e a hidratação artificiais de pacientes cuja sobrevivência dependa disso "não podem ser suspensas sob nenhuma circunstância".

Em momentos como esse todo mundo quer dar palpite - até eu - mas ninguém sabe de fato o que estar na pele de alguém que se encontra em tal situação. A Igreja Católica, com seu conservadorismo burro, considera o que ela prefere chamar de "morte assistida" mais um pecado mortal, uma afronta as leis de Deus. Pois não era de se esperar outra coisa de quem diz que o aborto é pecado, o homossexualismo é pecado, o uso de preservativos é pecado, e assim por diante. Assim, é melhor desconsiderar totalmente a opinião da igreja.

Pois bem, vou me prender aos argumentos que tenho para me colocar a favor da eutanásia para também me colocar a favor desse pai.

A eutanásia é uma escolha que se faz de modo a evitar a dor e o sofrimento de pessoas que se encontram sem qualidade de vida ou em fase terminal. Trata-se de uma escolha consciente e informada que reflete o fim de uma vida em que, quem morre, não perde o poder de ser digno até ao fim.

A escolha da morte não é irrefletida, já que dezessete anos são suficientes para qualquer tipo de reflexão, logo os componentes biológicos, culturais, sociais, econômicos e psíquicos deverão ser avaliados e pensados de forma a assegurar a verdadeira autonomia do indivíduo, embora alheio de influências exteriores à sua vontade, e se certifique a impossibilidade de arrependimento.

Todo ser humano deseja satisfazer as necessidades mais básicas, contudo o medo de ficar só, de ser um "estorvo", a revolta e a vontade de dizer não estado que se encontra conduz o indivíduo a pedir o direito de morrer com dignidade e de afirmar que "viver é um direito não uma obrigação".

Assim acho de extremo direito que, seu pai, o senhor Giuseppe Englaro, possa ver sua filha deixar sua não-vida e morrer com dignidade, sob os cuidados de profissionais de saúde competentes em conjunção com familiares.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Meu vô morreu na guerra


Na verdade, diferente do que disse no título, meu avô não morreu na guerra. Mas era isso que eu espalhava para meus amigos quando eu era criança. Não sei bem o porquê de eu dizer isso pra todo mundo, sei lá, acho que o fato dele ter participado da Segunda Guera Mundial me impressionou muito, então eu tentava impressionar meus amigos com aquilo que despertava em mim uma mistura de orgulho e admiração.

Pois eu espalhava aos sete ventos que meu vô havia morrido na guerra, quando na verdade eu nem sei realmente se ele chegou a entrar em combate.

Imigrante alemão, Arthur Puhl, meu avô, era realmente um homem admirável. E eu falo isso apesar dele ter morrido quando eu tinha apenas um ano de idade. Mas seus DEZESSEIS filhos, isso mesmo DEZESSEIS, não deixaram de exibir em seus rostos a mesma expressão banhada em admiração e orgulho ao pronunciar seu nome.

Não sei muito sobre ele, parece que cada um de seus TREZE filhos ainda vivos - três já não estão entre nós - guardou consigo apenas lembranças cotidianas e particulares deste homem. Naquela época acho que eles não tinham muito tempo para falar do passado, o que é uma grande pena, pois fico a imaginar o quão incríveis, dramáticas, intrigantes e mais um monte de adjetivos cabíveis, seriam as histórias que esse homem teria para contar.

Gostaria de ter o mesmo sucesso ao criar os meus - no máximo três - filhos que meu avô teve ao criar os seus. Todos, por mais defeitos que possam ter, e muitos os têm em demasia, foram e/ou são grandes homens e mulheres. A maioria deles é dona de notáveis qualidades que só podem ter sido herdadas e ensinadas por meu avô. E isso é um triunfo, uma façanha.

Apesar de ser demasiadamente pobre, meu avô conseguiu, de maneiras doloridas tanto pra ele quanto para os filhos muitas vezes, evitar que algum deles morresse de fome. Apesar de tudo isso, meu avô ainda conseguiu deixar um farto pedaço de terra para cada um deles, o que, levando-se em conta que eram DEZESSEIS, podia ser no mínimo chamada de uma posse considerável.

Além de herdar esse pedaço de chão - na verdade foi minha mãe, mas tudo bem - também herdei outra coisa de meu avô: o sobrenome.

Confesso que algumas vezes já odiei possuir esse sobrenome, não gostava nem de assinar com ele, o que era, de fato, uma idiotice de minha parte.

Hoje em dia não tenho mais problemas com ele, tenho até bastante orgulho do mesmo. Bom, isso deve- se dar devido ao fato de que na faculdade ou no trabalho as pessoas não façam como na escola, onde no momento em que o professor chamava “Diogo Puhl” alguém se levanta e com o dedo em riste, apontado pra mim, gritava “Diogo Pum” e caia em gargalhada acompanhado do resto da turma.

Fico feliz por situações como essas, que aconteceram diversas vezes ao longo dos anos do ensino básico, não terem me traumatizado. E hoje eu posso dizer e assinar meu nome sem nenhum problema. Diogo Puhl Pereira, assim eu assino agora.

Meu avô, como vocês podem ver na foto, era uma cara bonito. Bonitão mesmo, ao estilo Elvis Presley. Casou-se com Maria Simon Puhl, a mulher que viria a tornar-se a mulher de sua vida e mãe de seus filhos, dos DEZESSEIS. Ela foi, segundo me disseram, uma grande mulher, a melhor de todas, segundo seus filhos, minha mãe em especial. Ou seja, uma grande mulher para um grande homem.

Maria foi pra ele o maior de todos os tesouros, até o momento em que, em 1985, o deixou. Sua morte foi golpe forte que talvez ele não tenha conseguido superar até o dia de sua própria morte, três anos depois.

“O “de - cujos” viúvo de Maria Simon Puhl, deixando catorze filhos (14) maiores e bens a partilhar...”.

Essa é a ultima frase de seu atestado de óbito, que documenta sua morte em 12 de setembro de 1988, aos 68 anos.

Sabe, acho que eu estava certo. Meu avô morreu na guerra, sim. Nessa que é mais cruel de todas as guerras, a guerra da vida, a guerra que levamos todos os dias contra os nossos vícios, nossos defeitos, nossas peculiaridades não raras vezes criticadas.

A guerra da vida em que se criar DEZESSEIS filhos torna-se o objetivo principal, onde amar uma única mulher durante décadas não é nenhum sacrifício, onde a cada dia a luta contra o mundo e contra si mesmo se aflora da aurora até o crepúsculo. Uma guerra de lágrimas e sorrisos, alegria e sofrimento, vitórias e derrotas, todas desproporcionais.

Pois meu avô saiu vitorioso dessa guerra, onde a alternância de seus dias lhe proporcionou deixar esse mundo com todas as glórias e respeito que um grande homem deve ter.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Protestar tudo bem, mas essa hora?


Estudantes de diversas instituições de ensino fizeram uma manifestação que resultou em tumulto no centro da Capital. Munido de bandeiras e cartazes, o grupo organizou uma caminhada em protesto contra o aumento previsto nas passagens de ônibus de Porto Alegre. Os estudantes subiam a Esquina Democrática e ingressavam na Avenida Salgado Filho quando receberam a escolta da Brigada Militar. Até aí, tudo bem, mas pessoal, o trânsito não pode parar.

Todos sabem o quanto é chato ficar parado no trânsito, ainda mais em horário de extremo movimento. Mas os estudantes que, tudo bem, protestavam o aumento da passagem, trancaram tudo. E o que adiantou? Nada.

O máximo que conseguiram foi que um ou outro trabalhador chegasse atrasado no serviço, ou, depois de um dia exaustivo de trabalho, fizesse horas extras dentro do próprio carro ou ônibus, e sem receber nada.

Não sou contra protestos, até acho que as pessoas tem boas razões para protestar, mas essa hora?

O pessoal acabou atrapalhando a vida das pessoas comuns, que culpa nenhuma têm dessa história toda. Então, as pessoas que deveriam apoiá-las em sua manifestação, acabaram indignadas por estarem sendo prejudicadas por um protestinho fraco e que, sabe-se bem, não levaria a nada. As pessoas acabaram contra os estudantes, já que seu protesto tomou mais ares de vandalismo do que qualquer outra coisa.

Então, professores, policiais, carteiros, estudantes, estupradores, ou qualquer outro grupo que queira protestar, escolham um lugar bom e um horário tranquilo para fazer isso. Afinal, chegar em casa depois do trabalho é bem mais importante do que todo o resto.

Ainda sobre as cotas

Mesmo estando demasiadamente saturadas as discussões sobre a política de cotas educacionais nas universidades federais, parece que ainda tem gente que não aceitou bem esse "novo" método de inclusão social. E é por isso que venho, por meio deste post, me colocar a favor das cotas.

Os argumentos fracos daqueles que são contra as cotas são ouvidos o tempo todo, sua indignação se faz presente em suas discussõezinhas baratas, onde o preconceito se faz mais presente do que qualquer coerência das partes "injustiçadas" pela preferência que os negros têm em relação à elas.

Não quero parecer pedante ao me posicionar a favor das cotas, mas por ser um assunto um tanto quanto polêmico, onde as pessoas são 8 ou 80, assegurando-se de formas radicais aos seus argumentos, não posso deixar de ser um pouco presunçoso demais.

Concordo que não faz sentido usar as cotas somente para suprir a falta de qualidade do ensino público do qual os negros, em sua maioria, buscam suas graduações. Pensar que isso seria uma solução para as precariedades do ensino público seria o mesmo que querer mascarar o problema. Afinal que sentido teria colocar um monte de gente despreparada dentro das faculdades federais?

Também acho que é o ensino público é que deve melhorar, dando chances iguais – ou ao menos não tão desiguais – para quem veio de escola pública e quem veio de escola particular. Mas enquanto isso não acontece, devemos sim nos dispor de métodos não tão eficazes, mas que na melhor das hipóteses podem sim servir para ajudar a diminuir a desigualdade.

Mas o que mais me irrita nesse história toda é que a elite branca, seja ela rica ou pobre, mas ainda sim elite, se diz injustiçada por esse método. Eles se escrevem para o vestibular conhecendo perfeitamente as regras do jogo, e ao perder a vaga para os cotistas, culpam o estado e os próprios cotistas pelo seu fracasso. Sei que pareço estar generalizando demais, mas o fato é que a grande maioria infelizmente pensa assim.

Como podem se sentirem injustiçados? Como podem achar que estão em desvantagem? Isso não entra na minha cabeça.

No Brasil existe um sem número de descendentes das mais diversas nações, provenientes da Europa em sua maioria. Mas todos os descendentes de imigrantes ou próprios imigrantes que aqui se encontram vieram por que quiseram, menos os africanos.

Os negros – novamente generalizando, mas vocês me entendem – não vieram aqui por que quiseram, eles foram trazidos a força. Foram caçados, retirados de sua casa, de suas tribos, de suas famílias para virem aqui, e trabalharem forçosamente para os sinhozinhos do Brasil.

Não é necessário contar o tamanho da delicadeza com que os negros eram tratados no sistema escravista, todos já conhecem a história. Podem não pensar muito, não ligar muito ou tentar desdenhar um pouco, mas conhecem.

É que é muito mais conveniente não pensar muito nessas coisas, afinal é passado mesmo. Quem se importa? O que passou, passou, e agindo desse jeito a consciência não pesa tanto na hora de ir pra cama.

Pois bem, não digam que o sistema de cotas é injusto para um negro se não quiser que esse negro te conte o que é injusto de verdade.

Os negros batalharam muito mais que qualquer povo nesse país, e de graça! Qualquer descendentezinho de alemão, italiano ou sei lá mais quem, tem um pedacinho de terra que herdou de seus ancestrais imigrantes. Claro, eles recebiam pelo seu trabalho, eram livres e independentes, já os negros...

Depois de tudo isso, a cota ainda é uma forma de colocar um grupo social em local onde não há a presença desse grupo social, para que esse ambiente possa conviver com o diferente e, então, espraiar o hábito de convívio com este diferente para além desse local. A ideia básica, portanto, é a de evitar que o preconceito racial permaneça. No Brasil, a maioria não é mais branca, então, se houver lugares onde só os brancos frequentam, e esses lugares aparentarem privilégios, seja por qualquer motivo, o vírus do preconceito pode crescer.

Os números mostram o quão pequena é a presença de negros nas federais, e isso precisa mudar, e o primeiro passo foi dado, embora muitos não vejam dessa forma.

- Mas eu pago impostos como qualquer um, tenho que ter os mesmo direitos que os negros! – dirá algum idiota.

- Eu pago meus impostos para que os mais qualificados estudem na federal, não os que passaram por esmolas – dirá outro desmiolado.

- Eu prefiro pagar impostos para um negro/índio/branco-pobre estudar do que para um desses mauricinhos drogados e alienados que habitam aos montes as faculdades federais desse país – direi eu.