sábado, 25 de outubro de 2008

Maradona agora é técnico


Parece que a Associação de Futebol Argentina resolveu cometer os mesmos erros da CBF. Da mesma forma que a Brasileira, agora a seleção Argentina passa a ter como treinador um ex-jogador que parece ter sido escolhido apenas por seu status de ídolo em seu país.

Tendo como requisito único a idolatria de seus compatriotas, só se pode esperar mais um fracasso na biografia de Maradona - até apresentador de TV ele já foi. O lado bom é que ele já está totalmente calejado de críticas a sua pessoa, o que de certa forma o blinda de uma provável pressão.

Diferentemente de Dunga, Maradona pelo menos já teve experiência como técnico, o que de certa forma me deixa ainda mais surpreso com sua contratação, já que seu trabalho como treinador foi constrangedor até mesmo para ele: em 1994 ele aceitou um convite para treinar o Deportivo Mandiyú, onde conseguiu apenas uma vitória em 12 jogos e deixou o cargo por conta própria. O time seria rebaixado naquele ano. Em 95, foi treinador do Racing de Avellaneda, com o qual ganhou duas partidas, empatou seis e perdeu três.

Maradona parece achar que sua imagem de ídolo argentino e inabalável, já que mais uma vez a pôs a prova. Sua carreira como jogador já havia sido manchada por seu envolvimento com as drogas e pela sua variação de temperamento, agora se coloca na linha de tiro das críticas no caso de uma - muito possível - má atuação.

Independentemente de ser quem ele é, não consigo entender essas escolhas. No Brasil já tivemos Falcão e agora Dunga, Falcão fracassou e Dunga, bom, vocês sabem. Agora a Associação Argentina comete o mesmo erro.

Ninguém há de discordar de que não basta ter sido ídolo vestindo a camisa de seleções tão significativas como a argentina e a brasileira para simplesmente assumir-se com treinador e sair-se bem. É preciso muito mais que isso, experiência, tática e inteligência são só algumas das virtudes que um bom técnico deve ter. Mas parece que tanto a CBF quanto a AFA não pensam assim.

Parece que a lista de favoritos para vencer a próxima copa sofrerá algumas alterações dessa vez.

Como esperado, ele venceu de novo


Não moro em Porto Alegre, mas estudo e trabalho lá, logo a eleição e o resultado da mesma muito me interessam. Sendo assim colocarei em poucas e despretensiosas palavras minha opinião sobre o novo/mesmo prefeito da Capital.

As pesquisas já apontavam uma vitória fácil de Fogaça, o que acabou se confirmando. Essa vitória coloca o nome de José Fogaça como o mais forte para concorrer ao Governo do Estado em 2010 mesmo que ele diga que não o fará, mas nós bem sabemos que palavra de político...

Fogaça pouco fez em Porto Alegre, e isso abre espaço para procurarmos entender o porquê dessa preferência toda. Acredito que seja menos por seus méritos e mais por fatores novos que vêm cada vez mais se tornando sólidos e decisivos nas últimas eleições.

Um desses fatores - e talvez o principal deles - foi o que ajudou a eleger a atual governadora e que se mostrou existente em outras capitais nessas eleições: o anti-petismo.

Esse sentimento de anti-petismo vem crescendo muito e parece que o maior dos privilegiados por isso tem sido o PMDB que, nessas eleições conseguiu aumentar seu número de capitais se igualando ao PT.

Correto que esse não foi o único fator que reelegeu José Fogaça, ficou clara em meio a toda campanha a falta de carisma de Maria do Rosário, que não apresentou nada de muito novo e pouca segurança passou para o eleitor. Outra coisa foi o número de candidatos a concorrer esse ano. O PC do B de Manuela e o PSOL de Luciana Genro fizeram com que Rosário suasse muito para chegar ao segundo turno o que a deixou enfraquecida depois de conseguir. Essa desfragmentação de partidos foi outro ponto decisivo para as eleições.

Rosário havia sofrido bastante nas mãos de Luciana Genro - uma das vencedoras dessa eleição, apesar de não ganhar - nos debates do primeiro turno. Acabou precisando mais se defender do que pôde atacar Fogaça. Não teve esse problema nos últimos debates - por motivos óbvios - e acabou crescendo um pouco para cima de Fogaça, mas não foi suficiente.

Num estado machista como este o terreno é realmente estéril para candidatas como Rosário, que dificilmente voltará a concorrer pelo PT. E uma das culpadas pelo aumento dessa dificuldade é a má administração que Yeda Crusius vem fazendo. Com altos índices de desaprovação, ela pode ter ajudado a complicar a credibilidade de Rosário.

José Fogaça está eleito e, como disse no começo, mais por fatores externos do que por competência própria e isso, definitivamente, não é bom, já que mais uma vez a população se vê obrigada a votar fazendo suas considerações sobre qual parece ser o menos ruim.

"O Auto da Barca do Inferno"


Um pândego, esse Gil Vicente. Um pândego.

Digo isso após ter lido uma de suas alegorias "O Auto da Barca do Inferno", que foi apresentada pela primeira vez em 1517 para o Rei D. Manuel I. O livro me levou às gargalhadas um sem número de vezes, não só pelos seus versos heptassílabos, em tom coloquial, mas principalmente pelo humor negro já tão em evidência nos dias de hoje.

A alegoria conta a história de um alto onde estão à margem, a espera dos mortos, a barca do Inferno e a barca do Paraíso, com o Diabo e o Anjo, respectivamente como seus capitães.

Os mortos vão chegando: o fidalgo, o onzeneiro, o parvo, o sapateiro, o Frade, a Brísida Vaz que era um misto de alcoviteira e feiticeira, o judeu, o corregedor e o procurador, o enforcado e, finalmente, os cavaleiros cruzados.

Cada personagem discute com o Diabo e com o Anjo para qual das barcas entrará. No final, só os Quatro Cavaleiros e o Parvo entram na Barca da Glória (embora este último permaneça toda a ação no cais, numa espécie de Purgatório), todos os outros rumam ao Inferno. O Parvo fica no cais, o que nos transmite a ideia de que era uma pessoa bastante simples e humilde, mas que havia pecado.

O tratamento que é dado para cada morto expressa bem o ponto principal da obra, que visa tratar do juízo final católico de forma sátira ao mesmo tempo em que se mostra impiedosa contra os costumes da época, já que foi escrita na passagem da Idade Média para a Idade Moderna. Dessa forma fica clara a oscilação entre os valores morais das duas épocas, porque ao mesmo tempo em que há um forte crítica à sociedade, típica da Idade Moderna, a obra mantêm-se presa a Idade Medieval por estar fortemente ligada a religiosidade e a presença de Deus.

De todos os que chegaram às barcas, os julgamentos, tanto do Anjo quanto do Diabo, que mais chamaram a atenção foram o do Judeu e o dos Cavaleiros Cruzados. Isso porque ao Judeu não foi permitido o direito de entrar em nenhuma das barcas, o que da a entender que nem o Diabo o queria por perto. Seria fácil condenar o autor de anti-semitismo não fosse o fato de sabermos que no reinado de D. Manuel houve uma forte perseguição aos judeus, visando que fossem expulsos do território português.

A rejeição do Diabo ao judeu é dada com a desculpa de que não poderia entrar em sua barca carregando um bode. Já o anjo não deixa nem que o mesmo se aproxime, acusando-o de rejeição ao cristianismo. Por fim o Diabo aceita levar o judeu e seu bode, mas não dentro do barco e sim rebocados.

Outro tratamento que se mostra curioso é o dos cavaleiros cruzados, os últimos a chegarem. Eles falam com o Diabo com consciência tremendo de que serão aceitos na barca do paraíso, já que, provavelmente, foram mortos em combate pelos mouros. O fato é que eles nem sequer falam com o Anjo e adentram direto para sua barca. Isso mostra mais uma vez uma espécie de exaltação daqueles que servem a Igreja dessa maneira.

Fora todos esses aspectos interpretativos de minha parte, a história cômica demais, principalmente por causa do Diabo. Se essa história virasse um filme deveria ser interpretada por Jim Carrey ou talvez Adam Sandler, quem sabe? O fato é que a figura do Diabo, personagem vigoroso que conhece a arte de persuadir, é ágil no ataque, zomba, retruca, argumenta e penetra nas consciências humanas. Ao Diabo cabe denunciar os vícios e as fraquezas, sendo o personagem mais importante na crítica que Gil Vicente tece de sua época. Mas principalmente pela forma com que trata seus possíveis passageiros. Muito bom, esse Diabo. Com o perdão do sacrilégio, é claro.


Esse post também está no blog quadrisofia.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

O primeiro post

Criei o blog e logo me deparei com a complexa decisão de escolher o tema da minha primeira postagem no mesmo.

Assunto é o que não falta, crise financeira, o caso da Eloá, o desfecho do Campeonato Brasileiro, o rádio a todo volume da minha vizinha dos fundos que me desperta dos melhores sonhos pela manhã, enfim, são inúmeras as alternativas.

Não queria começar dessa forma, sabe? Mas então como?

No momento em que estou matutando sobre isso, na televisão está passando o Programa do Jô, com uma entrevista desinteressante com o Ivan Lins. Mas, do nada vi o rechunchudo Jô Soares pedir um palhina de uma canção chamada Atrás Poeira. Me virei para trás e fui surpreendido com uma bela canção.

Pois aí está meu primeiro post, uma música que, depois de pesquisar na internet descobri ser do próprio Ivan Lins em parceria com Vitor Martins. É pena eu não ter conseguido a música para disponibilizar aqui para vocês, mas pelo menos na letra vocês poderão dar uma conferida.

Atrás Poeira

Composição: Vitor Martins / Ivan Lins

Ele pegou um baio
E como um Raio
Sumiu no atalho
Na algibeira
Tinha um retrato
E um Baralho
Na frente nada
Atrás poeira
Atrás porteira
Atrás da Rita
Que Anda bonita
Que anda bebendo
Que anda correndo
Atrás do tempo
E dos rapazes
Que eram capazes
De ir a fundo
Te dar o mundo
Te dar o brilho
Que as mulheres
Tem Quando casam
E lhes dão filhos
Tava perdido
Mas é sabido
Que nessas horas
Só os amigos
São quem socorre
José de porre
Tá de malfeito
Antonio morre
Daquele jeito
Tão novo ainda
Deixou Benvinda
Que era linda
Pro Zé Calixto
Que era mal-visto
Por todo lado
Ladrão de gado
Ganhou dinheiro
Virou posseiro
Montou garimpo
E anda limpo
Perdeu o cheiro
Que tem os homens
Quando trabalham
E na Tocaia
È o que se fala
Aquela bala
Era pra ele
Não pro parceiro
O violeiro
Que andava a esmo
E era mesmo
Bom companheiro
E já que agora
Tá tudo fora
Tudo partido
E sem sentido
Não tem sentido
Ter na algibeira
O seu retrato
E o seu baralho
È ele o baio
E nada mais